Ooh la la, it’s my faulty love

Sempre tive algumas paixonites. Se eu for contar bem, devo ter me apaixonado pela 1ª vez aos sete anos. E lembro claramente como era, e como se repetiu todas as vezes em que me apaixonei: só pensava naquilo, na criatura da minha predileção, era como sonhar acordada, como estar, de certa forma, entorpecida.

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Com o tempo e a idade, essa sensação se diluiu. Veio o desejo físico, a atração e o jogo que leva ao encontro, ao beijo, ao namoro. O amor se torna algo prático quando você aprende como ele funciona. E sobra pouco espaço para o encantamento; a ilusão se torna uma pequena etapa da conquista – ou da desilusão. Com isso, desde os 16 anos, quando tive o meu 1º namorado, acho que a sensação do delírio ficou relegada a outro plano.

WallE_04_largeEu sou completamente apaixonada por esse filme.

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Então passei a ter pequenas manias. Gosto de chamá-las de obsessões, mais pela força da palavra, dramática o suficiente, do que pela realidade do sentimento. Então essas pequenas obsessões me fazem sentir de novo aquele encantamento, e é como se eu sonhasse acordada, como se um pensamento constante me roubasse a razão, me fizesse um fantoche. Um zumbi. Minha vida segue, mas naquele período, todos os meus pensamentos têm um pano de fundo único. Meu dia segue sem muito tempero, e todas as horas são regressivas em relação ao momento em que posso, finalmente, me encontrar com o meu objeto de desejo: vê-lo, ouvi-lo, assisti-lo, pesquisá-lo, confrontá-lo, até enfim tê-lo.

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Essa paixão vocês conhecem.

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Não faz uma semana que “descobri” River Phoenix. Por causa de um personagem de livro, quis ver o seu rosto. Joguei no Google, e foi como se um buraco negro se abrisse em mim, sugando todas as informações para um vácuo. Não sei para onde estão indo todas as fotos que vejo, todas as entrevistas, as músicas que escutei. Sua voz fica ricocheteando na minha cabeça por um tempo, e depois é absorvida. Seus olhos parecem ferir as minhas retinas por um segundo, e depois as hipnotizam. E se escondem em uma das muitas gavetas da minha memória, desorganizada como tudo que é meu.

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É o olhar que me captura.

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E de repente, sem que eu perceba, ele está em tudo. Reveste, como um papel de parede, todos os lugares da minha memória. E, sem entender por quê, eu sinto medo: medo de enlouquecer, medo de nunca entender, medo de nunca acabar. Sim, pois ao contrário de Crepúsculo, essa mania não tem fim certo. River Phoenix acabou com a sua própria morte, numa overdose, aos 23 anos. O que farei depois de assistir todos os filmes, ouvir todas as músicas? O buraco negro, afinal, tem um fundo?

river_filmesTodos os filmes que quero ver, em sentido horário: My Own Private Idaho, The Thing Called Love, I love you to Death, The Mosquito Coast, Indiana Jones and the last Crusade

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P.S.: Todos os títulos de posts dessa semana são trechos de músicas do River Phoenix e sua banda, Aleka’s Attic. Recomendo fortemente In the corner dunce, minha preferida.

 

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15 thoughts on “Ooh la la, it’s my faulty love

  1. João Antunes says:

    Pois é. E eu, contigo há 6 anos, não tenho direito a tudo isso.
    Me recorda Pablo Neruda:

    e os que amanhã quiserem ouvir
    o que não lhes direi, que o leiam aqui
    e retrocedam hoje porque é cedo
    para tais argumentos.
    Amanhã dar-lhes-emos apenas
    uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
    que há-de cair sobre a terra
    como se a tivessem produzido os nosso lábios,
    como um beijo caído
    das nossas alturas invencíveis
    para mostrar o fogo e a ternura
    de um amor verdadeiro.

    Enfim, pode parecer patético para quem lê, mas isso ultrapassou o sadio.

    Até lá.

  2. Annina says:

    Ai, Fê… tô começando a ficar assustada.

    Acho que você se parece DEMAIS comigo.
    Eu li esse post e me vi inteira! Rs!

    Eu tbm tenho umas obssesões esses ”caras impossíveis-viciantes-entorpecedores” vez ou outra.
    Vícios descritos como o seu.
    Pensar o dia inteiro, imaginar coisas loucas!

    Como te falei, já tive a minha fase River.
    De encanto, de pensar ”Porra, que merda que você morreu”- sendo que nem o ”conhecia” quando era vivo. Essa coisa maluca que você deve saber como é.
    Curta a sua fase River. Ele é demais.

    No momento, estou sem um ”vício”…
    É bom. Porque, convenhamos, essa fixação não causa uma agonia inexplicável? Não é?
    (pelo menos em mim)

    Beijão,
    Annina.

  3. Lily Zemuner says:

    Eu me sinto um ET, pq não tenho essas paixões intensas, sabe? Não sei pq, não vivo esse tipo de sensação que eu acredito, deve ser boa e ruim ao mesmo tempo. Não é escolha, eu só não sei ser assim.

    Ótimo post.

    B-jo.

  4. Danny Assis says:

    Vc escreve de um jeito muito divertido!
    O post está óootimoooo!!!
    Aproveite muito essa sua nova “paixonite” hehehe!!!
    Bjinhoss

  5. Marcela says:

    Eu tenho sérias tendências obssessivas.

    Achoq ue é uma coisa de escorpiana, eu nunca gosto/desgoto de algo/alguém.
    Ou eu amo loucamente até o talo ou odeio eternamente até o inferno…rsrsrs

    E se eu vicio…já era.

  6. natilopes says:

    feeeee…. eu sou igualzinha a vc!!! a primeira vez q vi twilitgh fiquei apaixonada!!!! hahaha mas isso é saudávle pra gnt!!!!

    eu ja conhecia esse mocinho bonito aí!!! hehe

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