RIP

Tem exatamente uma semana que eu ouvi o meu rádio relógio me acordar com a voz conhecida do radialista. Ele noticiava um acidente com morte envolvendo um jovem, filho de importantes empresários cariocas. Ao ouvi-lo falar o nome da empresa, eu imediatamente lembrei, em meio à névoa do sono, do ex namorado de uma de minhas melhores amigas. O sono foi se dissipando como nuvens ao vento enquanto eu pensava que não seja ele, que não seja ele. E quando a voz disse Diogo, eu ainda não acreditei.

O sono deu lugar a um choque que impedia meus olhos de piscarem. Corri para o celular. Acessei o Google, coloquei no nome dele, acidente, Rio de Janeiro, e não tive dúvidas: tava lá, estampada, a foto do perfil do Facebook que não podia mentir. Era ele. O menino que foi no meu aniversário, o personagem de histórias que minha amiga contava, ele estava ali, num ambiente virtual, e nunca mais estaria em um ambiente real de novo. Deu uma dor no meu peito e eu não acreditei. Corri para ver se o jornal já tinha chegado. Mas não. Pela primeira vez, o entregador parecia estar atrasado.

Depois do banho, de trocar de roupa, de separar o material para a aula na pós, resolvi que era hora de ir embora. Foi quando o entregador finalmente passou e eu pude ver que era verdade. Ele vinha da festa de aniversário quando bateu, em alta velocidade. Era o seu aniversário de 24 anos.

Eu esperei uma semana para falar pq o Diogo sequer era meu amigo. Era alguém que eu mais ouvia falar – por te sido namorado de uma amiga tão importante pra mim – do que, de fato, conhecia. Mas ver alguém tão jovem morrer assim, do nada, de repente, me fez sentir tão pequena, tão leve, como um grão de areia que pudesse ser levado pelo vento sem querer ir. E segui a semana com a imagem do menino na minha cabeça, mas parei de comentar pq não me sentia no direito, sabe? No direito de me sentir assim. Fico imaginando os amigos, a família, esse monte de coisas, e isso sim era uma dor de verdade. Insuperável.

E aí, na noite passada, justamente uma semana depois do acidente (só soube na segunda-feira, mas tudo aconteceu na madrugada de sábado para domingo), eu sonhei com uma missa de sétimo dia com caixão. Uma mistura de velório com missa. E acordei assustada. O Diogo sequer era meu amigo, mas o fato de não pertencer mais a esse mundo de repente parou de fazer sentido.

16 thoughts on “RIP

  1. Fernnandah Oliveira says:

    Amiga, é lamentável que jovens como o Rodrigo morrem diariamente, seja por acidentes ou por mortes acidentais e provocadas como assassinatos, uso de drogas, de bebidas entre outras coisas.
    Estatisticamente, o Brasil está se tornando um país idoso. Isso porque a maioria dos jovens estão morrendo. O narcontráfico e os acidentes de trânsito aumentam neste placar do terror.
    O que podemos fazer? Não sei, mas me nossos microespaços falar do amor de Deus e do valor a vida.

    Não fique triste, tente ser feliz e seja feliz.

    Beijos!

  2. Mariiiii says:

    Oii florzinha !
    Realmente é muito triste qdo vemos a quantidade de mortes envolvendo jovens que tinham tudo para ter um futuro brilhante pela frente…infelizmente faz parte da vida, né?
    Há poucos mais de 4 anos passei por algo semelhante quando perdi 2 amigos de uma só vez em um acidente de carro ! Infelizmente os bons morrem jovens !
    beijinhos

  3. Moira Memede says:

    Eu não gosto nem de pensar nesse assunto, sou muito impressionável, tenho medo da morte, minha e de pessoas queridas. Quando chega dezembro, dá um aperto no coração. Esse ano vai fazer dois anos que perdi um amigo querido com quem convivia todos os dias, trabalhávamos juntos. Ele era jovem, 32 anos, havia acabado de se casar com outra amiga querida, estavam no auge e começo de planos bons, que foram interrompidos de maneira tão repentina, quando o coração dele parou =( A gente acha que esse tipo de coisa só acontece com gente bem mais velha, que somos eternos, mas a verdade é que pode acontecer a qualquer hora e com qualquer um =(
    Eu lembro do meu amigo constantemente, existem várias coisas que lembram a pessoa bacana que ele era e sempre será para quem o queria bem. Dói muito quando algo assim acontece =(
    Ai, Fer, desculpa o desabafo! Mas isso sempre mexe com a gente, nem adianta se fazer de durona, se for com alguém que nos parece tão próximo, ainda que seja só um conhecido, então é surreal =(

  4. Cherry Bloom says:

    Nossa eu não sei nem o que dizer😦
    É muito triste pensar que isso ocorra diariamente. EU nao sei nem o que pensar disso. Eu fico em choque. Enfim….vida que segue. triste e chocada, mas segue.
    :S

    • paris é aqui says:

      Queria dizer uma coisa, pois acompanho seu blog, estou bem decepcionada com TODOS os blogs, não é porque é um blog “de moda” ou sei lá que torna ok ignorar as eleições e uma presidente mulher. Mesmo não votando em Dilmona, fato é que ela foi eleita. Será medo de causar polêmica ou só total descaso mesmo? Todos são blogs de “assuntos femininos” mas pelo jeito a política não faz parte da vida da mulher, não é mesmo? Apenas cupcakes, clogs e formatos de bolsa. Deprê.

      • says:

        Olha, sinceramente, até pensei em falar no assunto. Mas é que, pra mim, não faz a menor diferença se é uma presidente mulher. Pra mim, é só um discípulo do Lula que está lá, e isso é o que faz diferença. Poderia ser mulher ou homem, nesse caso específico eu acho que não faz diferença. Isso é, pra mim.

        Não trouxe esse assunto pro blog por alguns motivos:
        1) Tenho pouco embasamento político, e por isso o risco de falar merda é grande;

        2) Não sou pró-Dilma, não sou pró-PT, então eu basicamente não comemorei;

        3) O blog não é bem sobre isso;

        4)Acho que o governo Dilma tem tudo para ser como o Governo Dutra foi para o Getúlio(li isso no jornal): um esquenta cadeira para o Lula voltar em 2014.

        Apesar disso tudo, o blog está aberto para quem quiser discutir o tema aqui nos comentários e tudo mais, sem problemas.

        Em suma: sua indignação é bem vinda aqui. Beijos.

  5. Loli says:

    Eu simplesmente odeio ver notícias de pessoas que morrem jovens, odeio muito, mesmo que não seja ninguém conhecido. E, em contrapartida, “gosto” de ler notícias de mortes de pessoas velhas… calma, não é que eu gosto de ver os outros morrendo! Mas dá um certo alívio ver as pessoas morrendo quando “devem”, depois de ter vivido bem e tal.

    • says:

      Entendo que você quer dizer, Loli… eu mesma não fiquei assim quando meu avô morreu. Sei que ele viveu tudo o que quis, teve tempo e deixou sua marca na gente.

  6. DAYNA says:

    que coincidência Fernanda! eu acompanho seu blog,rio horrores com você e conhecia o Diogo!
    a irmã dele estudou comigo,na verdade todos frequentávamos o mesmo colégio!
    foi muito triste mesmo…ainda é!
    esse seu post me fez pensar que as vezes parece que estamos tão distantes…mas estamos todos interligados!

    obs: amooo a zimpy tb! compre com a Paloma, ela é ótima!

    beijos!

  7. Ana Carolina says:

    A saudade que sentimos de quem se foi só serve para lembrar com mais carinho e amor. Não cobre o buraco nem suprime a falta mas mantem a ideia de que essa pessoa deixou um legado muito especial no mundo. Serviu para passar na vida de pessoas como nós, mesmo que por um segundo, e marcar um lugar ou uma data que sempre vamos lembrar.
    Não sei se fui clara. em geral quando comento sobre coisas assim, deixo fluir bem o que penso.
    Espero ter servido para algo.
    Mil beijos para vc Fê.

  8. Haynna says:

    Detesto comentar atrasado, mas…

    Entendo perfeitamente, porque me senti um pouco como você quando recebi a notícia. E me indignei com as acusações de que ele era irresponsável e violento no trânsito, mesmo não tendo muito conhecimento disso. Perdi um amigo num acidente semanas antes. Não tão jovem, nem bonito, nem rico, mas igualmente divertido e de bem com a vida. Juntou tudo, e fico arrasada toda vez que penso em qualquer um dos dois, ou quando vejo um acidente. A vida é muito frágil. A gente faz mil planos, acha que vai viver pra sempre e, de repente, acabou. Essa é uma percepção devastadora..

    Bjs

    • says:

      Puxa, Noca, não sabia do seu amigo. E, realmente, a gente acha que vai viver pra sempre… se não pra sempre, pelo menos o tempo suficiente para realizar nossos sonhos.

      Acho triste a imprensa usar o Diogo como símbolo de tudo o que é estigma de menino rico: playboy, irresponsável, babaca. O cara não era isso, poxa. Não faz sentido julgar alguém só pelas mídias sociais, mas é um fenômeno muito comum hoje.

  9. Haynna says:

    Tbm queria dizer que oscilei entre o divertimento e a indignação com o comentário da leitora “Paris é aqui”. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Os blogs de futebol precisam falar sobre a proibição da burca na França? Os de humor sobre a mega sena acumulada? E você, Fê, por que não comentou sobre a derrota do Obama nas eleições legislativas dos EUA? E que tal o goleiro Bruno?

    Lá em cima tá escrito “Moda, beleza e bobagens”. Imagino o que poderia ser dito sobre a Dilma: 1- A coleção de roupas vermelhas dela;
    2- A total falta de beleza dela, ou as cirurgias plásticas que fez durante o governo Lula;
    3- A quantidade de bobagens que ela pode fazer/ A bobagem que fizemos ao elegê-la.

    A galera viaja muito na maionese..
    (vc é totalmente livre pra rejeitar o comentário se quiser)

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