Stu Sutcliffe

Existe algo em torno de se morrer jovem, algo que as pessoas pensam, que orbita em torno dos seus pensamentos mais simples. Não que todos secretamente desejem morrer cedo, mas é como se houvesse um mito em torno desse fato. Como se todo mundo que morreu jovem tivesse enterrado consigo imensas possibilidaes, como se todos pudessem ser artistas incríveis, pessoas inesquecíveis, marcantes, professores, pais, mães caridosas, filantropos, poetas, atletas, políticos, amantes, cientistas, filósofos.

Como se James Dean fosse fazer outros filmes incríveis, como se River Phoenix virasse um sobrevivente forte tal Robert Downey Jr, como se Janis Joplin nunca perdesse a voz, como se Kurt Cobain desse sobrevida ao grunge.

A verdade é que não sabemos. E, nesse caso, o não-saber, a possibilidade que nunca se concretiza, é uma joia, é algo mágico que guardamos em nós mesmos inconscientemente. Então, pelo menos pra mim, morrer jovem é carregar consigo esse conceito indestrutível e também indecifrável, como uma previsão que nunca se realiza, um baralho jogado na mesa que nunca vai se provar verdade ou não. E essa possibilidade – impossível por si só – é algo fantástico pra mim. Um sentimento tão angustiante, mas ao mesmo tempo tão precioso, que sinto toda vez que vejo o River Phoenix, por exemplo: um e se.  Isso se repete agora sempre que leio um pouco mais sobre Stuart Sutcliffe, amigo de faculdade do John Lennon, talentosíssimo, amável, que participou da primeiríssima formação dos Beatles em uma turnê em Hamburgo.

Morreu aos 21 anos de hemorragia cerebral. Nunca se tornou o artista que se esperava e que se previa como futuro certo. Nem virou um Beatle aos olhos do mundo.

Nunca se casou. Nunca teve filhos. Nunca teve seus quadros comprados por milhões de dólares. Nunca. Mas, mesmo assim, se preserva em tantas mentes como a possibilidade de ter sido tantas coisas…

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Com a noiva, Astrid Kirchherr, que sugeriu o corte moptop dos Beatles

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Stu era baixinho e não sabia tocar baixo direito. Por isso, muitas vezes ficava de costas para o público, no fundo do palco.

*Óin*

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UPDATE: Minha sempre amiga em assuntos beatlemaniacs, Aline, me mandou o link sobre um livro que conta um pouco da história do Stu com os Beatles, em Hamburgo, e do seu relacionamento com Astrid. E o melhor: em quadrinhos. Me apaixonei pelos traços inocentes, quase infantis, e acho que tem muito a ver com o espírito juvenil e despretencioso da banda na época. E, claro, em como imagino o Stu:

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O livro está em pré-venda no Amazon por US$ 25.

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10 thoughts on “Stu Sutcliffe

  1. louise says:

    Fê…
    Adorei seu texto muito bem feito viu? e realmente qnd morremos jovens fica um mar de possibilidades que sempre imaginamos que as melhores se concretizariam, por que? porque a mente humana fantasia só as melhores, é como se devessemos algo aquela pessoa que morreu tão jovem né? que tiraram dela!
    Vê Kurt Cobain… será que ele não terminaria um péssimo pai, preso por espancar a mulher, ou morto por overdose?? vai saber??
    Eu porém tenho má medo de morrer assim jovem me pego pensando nisso e tremo, é tanta coisa que não vivi e o tempo é tão pouco!!!
    xeru!

    http://www.pobreousada.blogspot.com

  2. jaciara says:

    É exatamente por saber que vou encontrar conversas como essa que vc acabou de fazer, é que passo por aqui todos os dias. Nossa! Eu tenho uma certa fixação sobre o tema morte, não algo macabro e que envolva medo, mas algo como “e se” e ler o que vc discursou, meio que somou aos meus pensamentos. Eu sigo alguns blogs e os poucos que sigo gosto muito mesmo, porque saem um pouco dessa coisa look/moda/fashion/podeusarounão. Mas o seu blog e o da Aline, são sempre blogs que me acrescentam mesmo. A Aline, eu tive a oportunidade de me esbarrar com ela no centro do Rio e foi breve e bem legal, tomara que um dia isso aconteça com você, pra eu fechar no meu coração a idéia que tenho de você como pessoa. Bjs querida e continue conversando.

    Jaciara

  3. Jac says:

    Fê, vc já viu o filme “Backbeat”?
    É sobre a fase dos Beatles “pré-beatles” em Hamburgo.
    A trilha sonora é ótima e quem faz o Stu é o Stephen Dorff. A Astrid é vivida pela Sheryl Lee (Twin Peaks)
    bj

  4. Gabriely Tavares says:

    Foi uma delicia ler seu post. Engraçado que essa semana estava conversando com meus amigos sobre morte, como algumas pessoas ou suas obras e conquistas ganham novo significado após suas mortes. O valores que lhes são agregados etc etc…
    A morte sempre exerce fascínio ao mesmo tempo que nos intimida,ela deixa um rastro ao passo que leva as pessoas desse mundo… ficam apenas os: “será” e “quem sabe”. A única certeza é que um dia ela chega para todos.

  5. Hannah Sá says:

    morrendo jovem, morre-se junto muitos sonhos, talvez por isso exitsa uma aura mística em torno disso.

    O desenho é bem interessante, fiquei com vontade de comprar. =P
    Lembra um pouco com scott pilgrim, só que com rostos mais esquios e sombiros… *-*

  6. camis says:

    gente que liiiindo (L)
    eu quero eu quero eu queeeeero!!
    Falando em HQ vc ja viu o pequeno livro dos beatles? fofo fofo fofo toda vida *____*

    beijos 🙂

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