Se fue

Eu lembro a primeira vez que ouvi Amy Winehouse. O Lucas (meu irmão) tinha gostado tanto de Rehab no rádio que comprou o Back to Black  – lembranças quase vintage de uma época em que se comprava CD – me emprestou, eu me apaixonei e um tempo depois comprei o Frank, álbum de estreia dela.

Ontem, eu estava na C&A procurando um cardigan (juro, missão impossível encontrar algo simples na C&A, tá difícil!) quando o namorado mandou uma mensagem: “Amy Winehouse foi encontrada morta”. Não acreditei, até pq o namorado é conhecido por pegadinhas como essa (“Zagallo morreu” é uma das mais comuns e eficazes). Mas era verdade. Morreu.

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Entrei no twitter, mais fiel fonte de informação, e tava lá aquela baboseira sempre que algo assim acontece. De um lado, a galera falando que tá, e a novidade? e do outro o povo só no sentimental, dizendo que perdemos um gênio e tudo mais.

De que lado que eu fico?

Ah, acho que de nenhum. Pq assim, quando a Amy veio ao Brasil, eu (e várias pessoas) decidi ir ao show “antes que ela morra e eu não tenha outra oportunidade”. Daí que, veja bem, o show foi uma boa bosta. Houve momentos em que ela sequer lembrava a letra. E de lá pra cá eu repensei essa questão da moça ser ou não um gênio da música. Pq eu comecei a ficar na dúvida se se tratava apenas de uma figura interessante e muito bem produzida (o irretocável Back do Black foi produzido pelo Mark Ronson) ou se realmente a Amy seria isso tudo sem uma mãozinha.  Digo isso pq no show a voz dela não foi um décimo da potência que ouvimos no disco.

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E sem contar que, depois de um tempo, Amy se tornou muito menos uma artista, para ser considerada quase um personagem. Era um tal de “Amy foi vista vagando em não sei onde…”, “Amy aparece de sutiã chorando pela rua”, “Amy aparece toda lanhada em festa da alta sociedade”, que né, virou motivo de piada, virou Michael Jackson, aquela coisa excêntrica que todo mundo lembra mais pelas bizarrices do que pelo talento. O que é uma pena.

Então eu prefiro lembrar da música mesmo. Do CD do meu irmão. Do Frank, que também é muito bom. E não da destruição e do desespero que você podia ver nos olhos dela. Pq isso é triste demais.

Enquanto isso, em algum lugar do mundo, Keith Richards passa bem.

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Confiram esse post muito bacana sobre Amy, escrito pela Juliana Cunha.

27 thoughts on “Se fue

  1. Caroline Santos says:

    Concordo com você… atualmente ela era mais conhecida pelas desgraças do que pela música… o que não vem acontecido só com ela… mas com outros cantores e cantoras.

    E mais do que nunca…
    “Enquanto isso, em algum lugar do mundo, Keith Richards passa bem.”
    Não só ele… mas TODOS os Stones…

  2. Júlia Lima says:

    muito bom seu texto Fê… eu tb fico com os discos, que prefiro… acho que ela era muito boa, tinha verdade no que ela fazia… e fico triste por ela ter se acabado dessa maneira.

    beijoca

  3. Aline Veloso says:

    É uma lástima que alguém que poderia ter tido uma outra vida, se tivesse feito outras escolhas, tenha que acabar desse jeito.É triste, mas ela cavou sua própria sepultura.Acredito que a vida polêmica que ela levou ficou tão marcada na mente das pessoas (mas até do que o seu próprio talento), que muitas delas quando pensarem em Amy Winehouse, vão imediatamente ligar sua figura a essas coisas lamentáveis e não ao seu talento, o que é muito triste.

  4. Paula says:

    Olha sou bem fã dela. Fui ao show dela mesmo mesmo motivo que você. Só que fui no Summer Soul de sampa.
    Olha me arrepiei muito, a voz dela estava maravilhosa, atrasou apenas 5 minutinhos, se atrapalhou com as músicas mas enfim eu gostei muito do show.
    Achei q a voz dela estaria bem pior, mas estava linda. Amei o show, amei muito, foi um dos dias mais lindos que ja vivi.
    Fico muito chateada pela vida que ela teve, a família já tinha abndonado ela e depois tbm teve o namorado.
    Ela devia estar numa depressão fortíssima, o que me chateia é ninguém ter feito nada para tira-la do fundo do poço (aparentemente).
    Chorei ontem, fiquei tristona, mas é isso, é a vida e escolhemos nosso caminho (não acredito que toda a culpa seja dela) enfim.
    Fiquei triste e é isso, infelizmente já se foi mais uma.
    E ah… nenhum cantor brilha sozinho, sempre tem gente atrás pra dar aquela força…

    beijos

  5. Flavia Porto says:

    Oi Fê, beleza?

    Eu tô até agora bem triste com a morte da Amy! Tbm fui ao show dela e simplesmente amei, a voz e tudo mais…

    A Amy era uma artista pra espetáculos pequenos e intimistas! Os mesmos que deram os empurrãozinhos foram tbm os que a fizeram se manter aonde, talvez, ela não quisesse estar…

    Eu não julgo! Já convivi com viciados em drogas e a maioria deles pede ajuda sim, e droga independe da classe social! Nem todos tem a mesma força (amigos, família, produtores…) que o Keith Richards!

    Beijos!

  6. mariane says:

    Fer,
    sinto muitíssimo pela perda de uma pessoa tão jovem com um talento ímpar como o dela. Acho que o personagem Amy realmente se sobressaiu esses últimos anos, só acredito que realmente ela era muito muito boa.

    Beijos linda

  7. Bianca says:

    Ai, não vou nem comentar muito sobre a Amy porque acho triste demais. Foi uma mulher que morreu, uma filha, uma amiga, não só uma cantora. Independentemente dos erros e da vida de personagem, tem gente que vai sentir falta da convivência dela, não só da música.
    Mas morri com o “Enquanto isso, em algum lugar do mundo, Keith Richards passa bem.” hahahhahahha

    Iggy Pop manda beijos.

  8. Daniela Abreu says:

    Acho que a palavra mais pronunciada quando se soube da morte da Amy foi “pena”. Que pena, tanto talento agora em baixo da terra, só vai ficar as lembranças, a maioria bizarra, mas acho que ela nunca pertenceu de fato a esse mundo, ela estava aqui perdida, tentando encontrar o seu lugar, todos para ela não passava de um bando de estranhos. Eu era e continuarei sendo uma adimiradora dessa figura que agora será imortal na história da música, como ela mesma sabia de sua importância nesse meio. Vivia lendo reportagens sobre sua vida boêmica, umas das últimas que li foi do ultimato que os médicos deram a ela, mas para mim ela era imortal e até agora não digeri isso, nunca consegui entender a morte, acho que ninguém entende, apenas assimila. Por isso continuo dizendo,uma pena!

  9. Camila Fernanda says:

    Compartilho do mesmo pensamento. Realmente eu prefiro lembrar da música, pois o segundo cd dela que eu comprei dois é uma obra prima.

  10. says:

    Para todos era uma tragédia anunciada. O triste é que ninguém teve real interesse em intervir e efetivamente ajudar ela. A pessoa fica famosa e vários “amigos” vem como que num pacote. A família tem que estar presente, mas parece que no caso dela já vinha desestruturada. Enfim, ela entrou em um processo de autodestruição. Triste ver alguém tão jovem morrer assim, sozinha, sem ninguém.
    Já o Keith Richards, devia ser objeto de estudo. Pois só o fígado dele já devia ter ido para o espaço faz muito, muito tempo… :o!

  11. Rebecca says:

    Bacana sua opinião sincera Fernanda.
    Confesso que ôntem foi a primeira vez que ouvi mais de uma música da Amy (não a conhecia de fato como artista) , mas fico triste pela vida, pelo desperdício, e pelo “suicídio” que ela cometeu aos poucos com sua auto destruição. É bem triste!

  12. Nina says:

    Muito triste… mas o que mais me assusta e entristece, é ver a “vibração” de muitas pessoas com a desgraça alheia… isso é miserável e doentio…
    Espero mesmo que ela descanse em paz, e que esse mundo um dia, pare de glamourizar a desgraça…

  13. Milla says:

    Qd anunciaram o show dela aqui no Rio, pensei a mesma coisa: “tenho que ir nesse show de qq jeito, pois ela pode morrer a qq momento”. Mas depois pensei bem e resolvi não ir, ela estava muito mal, sabia que ia me estressar. Preferi guardar a imagem dela DIVA. E é assim que lembrarei dela e é da incrível e inigualável voz de Amy que falarei para os meus filhos.

  14. Milla says:

    E complementando, duas frases dos highlanders do Rock:

    Keith Richards: “Devo minha longevidade ao fato de sempre ter tomado cuidado com as drogas que consumia.”

    Ozzy Osbourne: “Me assombra, todas essas coisas loucas. Eu tomei combinações letais de bebida e drogas por trinta malditos anos. Eu sobreviví a um avião me acertando diretamente, overdoses suícidas, doenças sexualmente transmissíveis. Eu fui acusado de assassinato. Então eu quase morrí enquanto andava num quadriciclo a duas milhas por hora. As pessoas me perguntam como ainda estou vivo, e eu não sei o que dizer.”

    E os dois já prometeram doar seu corpo para estudos!!!

  15. Aline says:

    Mesmo que nos últimos tempos ela já tenha deixado a desejar como artista, ela era muito boa. Adoro esse tipo de música e adoro a voz dela. O que ela era na vida pessoal, diz respeio a ela e às pessoas com quem ela convivia. Apesar disso, sendo uma pessoa famosa, todos, mundialmente falando, tinham acesso às suas doideiras. Fiquei triste, confesso e ao ouvir na rádio uma música dela, até uma lagriminha resolveu cair pensando em quanta coisa ela perdeu nessa vida por conta das drogas, quantas e quantas pessoas passam pelo mesmo diariamente e quantos familiares e amigos queridos sofrem.

    Enfim, para mim o que realmente fica é a música, sem dúvida!

  16. Luísa says:

    Oi Fernanda! Curti o texto, só tenho algumas conclusões extras. Pensei o seguinte;

    1) Dependência química é doença. Talvez aí fosse o ponto dessa cantora gênio não ser perfeita. Não dá pra se negar que ela tinha uma voz incrível. Já viu vídeos ao vivo?
    2) Quando Amy veio ao Brasil estava debilitada já. As pessoas já deviam esperar qualidade bem menor.
    3) A imprensa internacional/nacional se aproveitou dessa primeira problemática pra abusar da quantidade de matérias com foco negativo incluindo fotos nos piores ângulos. Ou, seja ela poderia ser uma celebridade drogada, mas a personagem não foi uma decisão dela, concorda?

    • Fernanda Alves says:

      Oi, Luísa!

      Então, acho o seguinte:
      1) Lógico que dependência química é doença. Concordo com você.
      2) Uma coisa é qualidade menor. Outra coisa é a decadência.
      3) Acho que ela/assessores também curtiam o fato dela ser um personagem. As roupas, o cabelo, o delineador, pareciam compôr um personagem que era complementado pelas aparições da moça toda arranhada, sem sapatos, dormindo na praça, colocando silicone nos seios (que médico foi esse que aprovou?)… era um espetáculo à parte, que a mídia noticiou, mas não criou.

  17. Fernanda says:

    Concordo plenamente com a Luísa! E olha , realmente dependente químico decai.
    Eu nunca fui fã dela , mas também não deixo de gostar. Acredito que quanto ao personagem, gente era a marca dela , como Lady Gaga. Ela era uma ótima artista, infelizmente estragada pelas drogas! Mas, o fato é que deveríamos parar de criticar e julgar e , como a Fernanda , lembrar das músicas delas!

  18. Joo says:

    Aqui em casa a gente tem a teoria de que o sangue do Keith Richards já é tão tóxico que ele próprio mata tudo o que tenta entrar.

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