Existe lugar para um “Orgulho Negro”?

Eu sei que esse blog é um lugar muito leve. Aqui eu falo muita bobagem, é a minha diversão, meu hobby. Mas essa semana eu vi um link sendo largamente divulgado nas mídias sociais, e não poderia discordar mais. E como o blog é o lugar onde eu falo basicamente o que passa pela minha cabeça, achei que aqui seria o melhor lugar para discutir o tema.

Comecemos do começo. Um belo dia, Danillo Gentili achou que seria legal publicar uma piada no twitter: “King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?”

Todo mundo se revoltou, disseram que era um racismo e tudo mais. Daí me vem a super resposta do humorista, que você pode ler na íntegra no tão divulgado link. Em sua defesa, Danilo levanta a bandeira do negro x preto (sendo um termo socialmente aceito e outro não), “piada com gay pode, mas com preto não pode”, “somos todos uma única raça, a humana” e, finalmente, o politicamente correto, não se pode mais fazer piada de nada nesse país, etc etc.

Antes de tudo, acho possível ser engraçado sem, necessariamente, fazer piada de português/gay/loira/preto. É mais difícil? Acho que é. Mas dá pra ser engraçado. Existe uma linha muito tênue aí, mas não é de humor que eu quero falar nesse post.

O que eu quero falar é sobre o tal do “somos todos de uma única raça, a humana”, e que pequenos atos não configuram racismo. Lógico que eu concordo que somos iguais. Mas eu acho que o mundo não pensa assim. Eu realmente acho que haverá um momento em que estaremos tão miscigenados que não apontaremos a cor da pele de ninguém, mas daí dizer que um “orgulho negro” justifica um “orgulho branco”, e que uma pessoa que sai com uma camiseta escrito “100% negro” está fazendo uma idiotice, isso não faz sentido. Não faz sentido porque a história do negro é completamente diferente da história do europeu. E não falo da escravidão pura e simples (Danilo vem me dizer que “na África, uma tribo escravizava outra”, isso é justificativa pra quê, alguém explica?), falo do psicológico mesmo. Porque o negro foi tão apontado como inferior, como feio, como burro, que isso está enraizado na gente até hoje. O cabelo do negro é “ruim”, por exemplo – como se cabelo fizesse algo a alguém. Os padrões de beleza ideal são outros. Lembram quando disseram que o Neymar era negro e ele negou? Como assim negro? Ninguém quer ser negro.

Vou contar uma coisa pra vocês. Meu pai é Coronel, e minha identidade é militar. Quando fui tirá-la, o soldado que preenchia meus dados não perguntou a minha cor. Só preencheu: “alva”. E deixa eu te dizer: se tem uma coisa que eu não sou é alva. Então, meu pai conclui que o soldado estava querendo fazer um agrado. Não queria me ofender e colocar “negra” na identidade.

Então eu acho assim: se você chama um negro de macaco, não é a mesma coisa que chamar uma pessoa alta e branca de girafa. Pq você não está lidando com animaizinhos do zoológico aqui. Está recontando uma história de séculos. E quando alguém diz que é “100% negro”, e tem orgulho disso, acredite, essa pessoa passou por todo um processo interno de aceitação. Bater no peito e dizer que é negro, quando você foi criado assistindo a Xuxa, tem a Gisele Bundchen como modelo de beleza e não tem sequer um chefe que seja negro no trabalho (quantos CEOs negros você já viu?), não é uma coisa tão simples. E eu acho que esse orgulho negro, isso de colocar a camisa e bater no peito mesmo, é necessário. Acho que o orgulho negro é necessário sim, e não pode ser apontado como uma forma de “racismo contra os brancos” – pra mim esse argumento chega a ser imoral. Acho que vai haver um dia em que não será mais preciso, mas olha, Danilo, esse dia não é hoje. Então não me venha com esse papo, por favor.

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Essa é a minha opinião. E a de vocês, qual é?

84 thoughts on “Existe lugar para um “Orgulho Negro”?

  1. Gabi Moura says:

    Aqui é uma negra que vos fala.
    Não poderia concordar mais com esse post. Agora vamos por partes:

    Seu blog é leve e divertido sim, porque claramente reflete voce e seu estilo de vida. O que quer dizer que voce tambem tem seus valores, e deixa-los expostos vez ou outra é uma coisa boa. Primeiro porque rola identificação por parte de quem lê. Segundo, porque é uma coisa necessária.
    O racismo é algo impossivel de ser compreendido por quem nao sofre com ele.
    Chamar um branco de girafa JAMAIS será comparado a chamar um negro de macaco.
    Há imbecis que afirmam que a luta contra o racismo é uma forma dos negros se fazerem de vitimas.
    Há quem diga que estamos exagerando.
    Eu digo que o silencio é o respaldo que os ignorantes precisam pra continuarem a praticar esta violencia, e é por isso que eu me recuso a ficar em silencio.
    Como negra, me sinto quase na obrigação de lutar por isso diariamente.
    E me sinto obrigada a respeitar a todos como exijo que me respeitem.
    Isso de “gente, é besteira, somos tds iguais”, é uma frase preguiçosa, geralmente dita por quem nao passou por uma situação racista, onde vc ficou com medo de ser confundido com criminoso ou prostituta, só por ser negra.
    O “humorista” Danilo pecou ao tentar se justificar em cima dum direito que ele NAO tem, que chamar alguem de macaco. Foi errado e pronto.
    Seria mais digno se ele simplesmente admitisse e se desculpasse, mas nao. Preferiu criar um discurso porco repleto de frases prontas, tipicas de quem nao consegue reconhecer o proprio racismo, de tao banalizado que está.

  2. kelly says:

    É isso Fernada,
    já te admirava antes por assumir seu cabelo da forma que realmente é, e lindamente é.
    Mas fiquei muito contente em saber a sua postura sobre o que nós representamos (mulheres negras) dentro dessa sociedade eurocentrista.
    Sei que esse post exemplifica apenas um dos muitos insultos que vivemos diariamente.O racismo está instalado em pequenas situações que na maioria das vezes é também imperceptível ainda á nós negros.
    Situações que já se tornaram banais,como não passar numa seleção de emprego …pode estar velado do indesejado racismo…
    é isso querida,
    bjo grande.

  3. Cleyde says:

    Fê quando eu falo para as pessoas que eu trabalho numa empresa de Telecomunicações as pessoas me perguntam se sou operadora de telemarketing, nada contra a esta profissão, já aconteceu 2x, sou engenheira, queria que me vissem como realmente eu sou, se falasse que trabalho num hospital porque não pensar que sou médica, não sempre pensam no cargo de menor escolaridade. Por isso que temos que usar 100% negro..outra coisa..Ontem escracharam uma blogueira negra no blog da blogueira Shame, ela foi chamada de macaca, achei um absurdo terem falado isso da menina. Eu vou denunciar o post nas entidades de defesa dos direitos humanos.Não se pode ter um internet tão livre assim que as pessoas não paguem por seus erros.

  4. Emilia says:

    Concordo 150%. Sou branca, classe média e nunca sofri preconceito, fui criada por pais humanistas para ser uma pessoa respeitadora de todas as cores,religiões etc, tenho amigos e amigas negras. Mesmo assim, já me peguei tendo sutis reações de preconceito. Eu JAMAIS falei qualquer coisa tipo ‘coisa de preto’ ou algo assim, jamais discriminei alguém pela cor ou qualquer outro motivo, mas o racismo é algo TÂO TÂO arraigado socialmente que a gente às vezes é preconceituoso sem perceber. O dia que eu percebi isso foi uma ficha enorme caindo. No Direito USP, onde estudei, de 450 alunos devia ter menos de 10 negros/ pardos. Na Faculdade onde eu dou aula, carésima, de “elite”, tem pouquíssimos alunos negros (e parte deles só entrou por causa do ProUni). E depois que entrei no Fórum Encaracoladas fico sempre CHOCADA com as coisas que as mulheres (negras) que têm cabelos crespos – dos mais variados tipos – já ouviram e continuam ouvindo das pessoas (inclusive de outras mulheres que também têm cabelo crespo mas resolveram alisar). Já teve gente que contou que a tia mandou email dizendo que estava muito triste com o cabelo da moça marcou hora no cabeleireiro pra ela (SEM PERGUNTAR!) pra alisar o cabelo e essa é das mais leves. É bizarro!!! Por isso tudo eu acho que tem que ter orgulho negro sim, e orgulho gay, e essa babaquice de orgulho branco e orgulho hetero me dá vontade de vomitar.

  5. Juliana Machay says:

    É realmente uma linha tênua. Porque minha irmã casou com um negro e no dia do casamento as primas da minha mãe comentavam “nossa, tá misturando, hem”. Eu achei um absurdo, porque não consigo ver meu cunhado negro (e ele é). Vejo ele como o cara legal meio quieto sabe tudo de computador que casou com minha irmã. Quando o conheci eu percebi que ele era alto, bem alto pra uma garota de 1,50m. Mas não vi que ele era negro. Você entende? Não faz diferença. E ele teve um pai discriminado. E os irmãos mais velhos também. O pai dele dizia “sempre saia de casa arrumado, de cabelo cortado e barba feita. Porque se acontecer alguma coisa você será o primeiro a ser olhado”. Mas nunca achou que deveria ter privilégios por ser negro, pela história e tals. Daí a linha tênua.

  6. lilyzemuner says:

    Nada a dizer. Finalmente alguém escreveu exatamente o que eu penso. E é tão óbvio que eu não entendo como alguém caiu na lorota desse texto, supostamente do Danilo. Precisa ou ser muito tapado, ou querer fingir que não conhece a realidade. Anos de preconceitos e opressão, pra vir um babaca qualquer dizer que ter orgulho de ser negro é preconceito contra brancos. Faça-me o favor, isso ofende a inteligência das pessoas, subestima a capacidade de raciocínio de quem tem um mínimo de consciência. O mais triste é ver o tanto de gente que lê aquilo e toma como verdade. Vivemos tempos malucos, isso sim.

  7. Tamara says:

    Meu Deus, onde eu assino?!?

    Eu nasci e cresci no Sul, então assim, se já é difícil ser negro em vários lugares no Brasil, aqui é dez mil vezes pior. Porque Santa Catarina gosta de passar a imagem de pequena europa brasileira então se torna impossível de admitir que existe negros aqui. Nós somos MUITO ignorados e simplesmente não fazemos parte da cultura daqui. É horrível. Para eu me aceitar, aceitar a minha cor, demorou aaaaanos. Eu sempre quis ser igual às minhas amigas do colégio e chegava em casa chorando porque não tinha olho claro, não tinha cabelo liso, era tratada diferente.

    Eu nunca fiquei com ninguém da minha escolar (particular!) e me considerava HORRÍVEL porque nenhum menino queria ficar comigo. Um dia eu cheguei chorando em casa e minha mãe me explicou que seria difícil mesmo eu ficar com alguém daquele meio, não porque eu fosse menos, mas porque assim eles me consideravam. Era ótimo ter a Tamara como amiga, mas Deus me livre apresentá-la para os meus pais como namorada, né.

    Eu até acredito que o Danilo Gentili seja uma pessoa sem preconceitos, mente aberta, mas falar coisas desse tipo é um desserviço para o Movimento Negro. Porque ele não tem nem ideia do que crianças negras passam TODOS OS DIAS na escola, o que jovens negros passam TODOS OS DIAS na balada e o que adultos negros passam TODOS OS DIAS no ambiente de trabalho.

    Parabéns pelo texto ;**

    • Marina says:

      Comigo foi exatamente assim! Perdi as contas de quantas vezes voltei do colégio chorando horrores, da balada chorando tb.

      Uma vez a T(h)aís Araújo comentou, naquele programa da Regina Casé, que ninguém paquerava com ela na época do colégio, e que ela atribuía o fato à questão da cor, pq todo mundo namorava, menos ela.

      Eu fui super atrasada em relação às minha amigas, nessa questão de paquera. hehe Hoje eu já estou mais à vontade com essa situação, pq me sinto melhor comigo. Agora, fico pensando na sua situação aí, pois, veja você, moro no NE, em uma cidade onde há razoável número de pessoas negras e já foi muito difícil.

  8. Nadja Barros says:

    A minha opinião, apesar de não vivenciar na pele, literalmente, este tipo de preconceito é de apoio total e incondicional ao q vc escreveu!!

    Espero que a humanidade caminhe mesmo pra um futuro sem diferenciação de qquer espécie com o próximo, mas por enquanto, temos q viver numa sociedade em que foi preciso tornar lei o que deveria ser óbvio e natural: somos todos iguais! E mesmo assim, ninguém ainda está a salvo de ser alvo de alguma forma de preconceito!

    Faço minha parte, sou parceira na formação do caráter de dois cidadãos (ainda mirins) e damos o exemplo, a começar pela minha casa, respeito e exijo q meus filhos tb respeitem a todos, sejam vizinhos, porteiros, empregados, família, idosos, colegas e professores de escola, o pipoqueiro, a moça q recolhe as bandejas no shoping, por exemplo, durmo tranquila sabendo que nossos esforços estão surtindo o efeito desejado! Que bom seria se todos fizessem a sua parte!

    Como a amiga disse acima: You go, Girl!🙂

    Seu texto bem poderia ser um daqueles que depois de um tempo ‘vagam’ pela internet, se tornam famosos, adquirem mil outros autores e, mesmo assim, anos depois, as pessoas
    continuam lendo, comentando, repassando e achando irretocável!🙂

  9. Aline Aimée says:

    Esse discurso de orgulho negro como preconceito contra brancos é de uma idiotice tão grande que não sei como alguém tem coragem de proferi-lo. Paga de alienado diante de anos de opressão e negligência, desconsidera fatos históricos que nem precisam ser escarafunchados,pq ainda influenciam nossa cultura atual.
    Pra mim, o tipo de gente que repete a ideia desse texto só quer manter o status privilegiado que eles já tem.

  10. paris é aqui says:

    Tipo… Gentili pelo direito dos homens brancos de elite (pobrezinhos, tão perseguidos!) poderem fazer piadas sexistas sobre mulheres, racistas sobre negros, homofóbicas sobre gays?
    E o tal Rafinha, que só foi processado quando mexeu com gente milionária (Uónessa). antes, quando incentivou o estupro, nada aconteceu.

  11. Aline Oliveira says:

    Sabe que hoje antes de ler o seu blog me peguei pensando na história do “somos todos iguais”. É, que somos mesmos iguais, não tenho dúvidas. O fato é que NUNCA fomos tratados como iguais. E como você disse, são anos no processo de aceitação da sua própria cor, do seu próprio cabelo, da sua própria realidade, pra escutar um cara dizendo que “orgulho negro” é puro preconceito. NÃO É! Orgulho negro, é um dia olhar no espelho e enxergar a sua beleza. É estudar e saber que você também é capaz. É não se intimidar pelas piadinhas que ouve das pessoas por aí. Parabéns pelo seu texto, disse tudo o que estava engasgado!

  12. Rubi Camargo says:

    Os humoristas estão perdendo a razão para não perderem a piada. Infelizmente. Danilo Gentili faz isso sempre. Assim como muitos ‘humoristas’. Fazem piadas como se as pessoas não passassem de rótulos e caricaturas: gordo, gay, negro… É um prato cheio pra esses covardes que se favorecem da fama ou da posse de um microfone pra fazer um ‘sucesso’ fútil e inútil ridicularizando as pessoas.

  13. Taiane says:

    Fernanda,

    Leio seu blog há algum tempo mas nunca comentei.
    Te admiro muito pela postura que você parece ter na sua vida. Digo isso pois te conheço apenas do blog né?
    E decidi comentar para te dizer que concordo com tudo o que você escreveu a respeito do texto do Danilo.

    Ah.. e você é a responsável por voltar a usar meus cachos. Ainda travo uma batalha para me sentir bonita e sexy (kkkk) assim. Mas não desisto!

    Beijos!

  14. Ligia says:

    Não poderia concordar mais com você. Essa mania de comparar o que não é comparável – dizer que se um negro usa uma camiseta 100% negro, então um branco pode usar uma 100% branco; ou, então, se existe o dia da mulher, deveria existir o dia do homem – é totalmente imoral. Estamos falando de minorias reprimidas há séculos e que, infelizmente, ainda sofrem preconceitos em todos os níveis, dos mais sutis aos escancarados, chegando a agressão física e a assassinato. Depois vêm esses babacas “humoristas” – não sei cadê a graça – querer dizer que não existem essas desigualdades, todos somos iguais, blá blá bla. Aham, Cláudia. Negar a existência das desigualdades só piora tudo porque, se elas não existem, os negros, as mulheres, os homossexuais estão reclamando do que?
    Fico muito feliz por você ter falado sobre isso.
    Beijos!

  15. natália says:

    Texto maravilhoso, acho que não acrescentaria nada!
    Não tenho palavras para expressar o meu ódio quando vejo gente fazendo esse tipo de comparação absurda, dizendo que orgulho branco e orgulho negro são a mesma coisa, reivindicando dia do orgulho hétero, colocando feminismo e machismo na mesma posição (já tá me dando vontade de vomitar..), enfim. Fico pensando que essas pessoas nunca leram um livro, tiveram uma aula de história ou no mínimo se dignaram a olhar além do próprio umbigo para pensar assim. E sabe o que mais me revolta? É que pessoas assim, como o Gentili, ou o Rafinha Bastos (lembram das piadinhas com estupro de mulheres feias?) sejam consideradas OS ícones dessa geração.
    Só mesmo manifestações lúcidas como a sua conseguem me devolver um pouco da minha fé na humanidade. =)

    Ah, e só pra aproveitar o embalo: eu nem sou muito chegada em moda, mas seu blog é parada obrigatória, porque eu simplesmente AMO tudo que você escreve…poucas blogueiras são tão talentosas para isso (e falo de tudo, desde a gramática perfeita – e sou meio chata com isso, admito – até o senso de humor incrível). Parabéns!
    Beijão =)

  16. Mirian Soares says:

    Eu vi o link do texto do Danilo sendo compartilhado alucinadamente no facebook, mas eu confesso que nem me dei o trabalho de ler, pois eu acho essa cabra tão babaca que perder tempo pra quê, mermã? Agora que eu sei q o conteúdo do texto é a respeito disso, não tem como não ecoar o seu ponto de vista. Concordo com vc.
    Bjos

  17. Luana says:

    Fernanda, isso é muito complicado. Vivemos numa sociedade, isso em âmbito mundial, que o Negro aprendeu a ser marginalizado desde sempre, logo, muitos ainda se colocam nessa situação. Não me revolta aquele negro que anda com 100% Negro na camisa, longe disso, o que me revolta são aqueles negros que se ofendem com tudo. Vou te contar uma história, sou gordinha, sempre fui, desde criancinha; com meus 10 ou 12 anos, no colégio, vieram uns meninos da minha sala e começaram a me sacanear muito, chamar de elefantinho, rolha de poço, baleia… esses apelidos de sempre. Pra me defender eu virei pra cada um deles e disse: e vc que é a olivia palito? e vc que é cabeçudo, minicraque? pro outro, que era negro, eu disse: e vc que tem cabelo de bombril? Veja bem, ali, naquele momento, eu não queria ser agressiva, nem ofender a “raça” dele, eu queria me defender da ofensa e da mesma forma que ele me sacaneou por uma condição f[isica, eu fiz o mesmo. No outro dia os pais dele foram ao colégio diendo que o menino tinha sido vítima de racismo por uma amiguinha. Entendeu a linha tênue? Ele me chamou de gorda primeiro e ainda foi vítima por eu ter dado o troco.
    Deixo claro,a mais uma ve, que com 10 anos eu não fui racista, nem sou e abomino quem seja, mas eu me aproveitei de uma condiçao física pra me defender. Acho que esse é o grande problema, que talve o Danilo tenha tentado expor mas com argumentos muito falhos.

  18. Luana says:

    Continuando…

    Super apoio a sua posição, é exatamente assim que tem que ser feito, devemos respeitar o outro independente da sua condição física. A evolução da sociedade é gradativa, mas tenho fé que seremos igualitários futuramente.
    Parabens pelo blog e pela defesa de opniões, isso sim é orgulho.

  19. grazie says:

    Perfeito, perfeito, não retiro uma só palavra, disse tudo Fer.

    Tb sei , como muitas aqui, o que é passar por todo o processo de encontrar orgulho e beleza no nosso cabelo, traços, cor… Sei o que é preconceito, sei o que foi perder vaga na adolescência por conta da tal “boa aparência”, sei o que é não ser reconhecida de cara na profissão e formação que possuo, mas sei tb o que é “dar um baile em muitos”, levantar a cabeça e seguir em frente, como tem sido a história de muitos negros nesse país.

    Parabéns pela postura Fer.

  20. marcela de vasconcellos says:

    Poxa Fê, eu já escrevi no face e tudo mas…

    Eu sou branca. Sou papel, branca de neve, desbotada, copo de leite…
    Tenho cabelo cacheado, cabelo ruim, tonhonhoim, ninho de pomba rola, ninho de rato…
    Sou magra, palito, seca, espetadora, puro osso.
    Uso salto alto e só ando “bem arrumada”, porque sou vagaba e quero dar pra todo mundo.
    Sou o braço direito do meu chefe e do meu patrão e quando digo que sou Assistente de Importação (prefiro o respeito de todos os funcionários que eu tenho hoje do que uma plaquinha escrito “gerente”) as pessoas imaginam sim que eu sou telefonista, secretária, atendente, recepcionista.
    Eu sou solteira por opçao e numa roda de conversas com mulheres casadas eu sou vista e tratada ( e já ouvi) como a fria que só pensa na carreira, que não é feliz e que nunca vai ser capaz de ser mãe.

    Já disse e repito, toda e qualquer forma de preconceito é idiota, eu nunca vou entender. Mas o ser humano tem a burra necessidade de ser cruel, de diminuir o outro pra se fazer parecer maior. Nunca vão te olhar e pensar : ” Nossa que mulher bonita, tem cara de ser gente boa, trabalhadora, sonhadora…”. Vão pensar coisas feias, as vezes vão dizer. Eu vivo chamando uma amiga negra de “pretinha gostosa, pretinha do coração”. Acho que o tom de voz e a intenção dizem muito mais do que as palavras.

    Não quero diminuir toda a história dos negros, nunca vou, isso não tem como ser diminuido. Mas também não acho legal que os negros se definam por isso, porque as vezes se faz isso. Alguns negros acham que todo branco deve pedir desculpas a eles porque algum tataravô de alguém escravizou o tataravô do outro.

    Não é pra esquecer, mas não dá pra viver disso.
    Preconceito é nojento, mas existe. Nos resta criar nossos pequenos de forma melhor e ensinar a eles que chamar o amiguinho de “bolo fofo” ofende. Porque sim, isso não é só brincadeira, isso magoa e pode marcar (veja meu caso).

    Pessoa como o Gentili sempre vão existir, só nos resta ignorar ou combater. MAs não acho que as pessoas que aceitam vagas de cotista nas universidades devam fazer isso. Pessoas que se definem pelo que são, pelo que fazem e pelo seu esforço sim, essas podem defender sua raça, seu povo, seu país, seu cachorro, sua família…

    Agora cor de pele…eu vivo finindo a minha porque adoraria ser um pouquinho mais morena (porque morena eu sou, vocês é que não enxergam direito).

    Sei lá, as vezes a gente pensa e tenta explicar o pensamento pros outros, espero que você entenda meu ponto de vista.

    • Fernanda Alves says:

      Acho um erro dizer que negro “vê racismo em tudo”, sabe? Tentar relacionar isso com a sensibilidade das pessoas e tal. E acho que, sim, a cor de uma pessoa pode ser um fator determinante na personalidade dela, pq não? Se eu fosse alta, loira, magra e a gatinha mais cobiçada do colégio, não seria a mulher que sou hoje. Nossa aparência determina um pouco da nossa personalidade sim, pq não?

  21. Luciana says:

    Belo post, de verdade. E quanto ao Gentili e tantos outros, acho curioso como culpam o “politicamente correto” enquanto o problema é não saberem fazer humor sem ofender as pessoas. E não, não é engraçado, não é nem mesmo inovador, já que humilhar minorias em piadas é coisa bem antiga. Além disso, o argumento de que em contrapartida ao orgulho negro, ou orgulho gay, ou feminismo caberia um “orgulho hétero/branco/mascu” é rasteiro de uma forma que olha… Queria que algum defensor dessa ideia me apresentasse um cara hétero que tenha apanhado em algum lugar por manifestar afeto em público, ou um homem branco que tenha sido preterido numa seleção para emprego em prol de um negro com as mesmas qualificações. Enfim, concordo totalmente com seu ponto de vista, e parabéns por trazer esse tipo de questão ao blog – acho essencial que pessoas como você, que têm um espaço e audiência, não se calem. Bjo!

  22. Priscila Ramos says:

    Arrasou no post nega show, tenho enorme orgulho em dizer que em minhas veias corre sangue negro e índio, tenho pele clara herdada do meu pai, minha mãe casou-se novamente e meus irmãos são negros, negros lindos, viva a igualdade sou mestiça com muita satisfação.
    Bjs carinhosos.

  23. Dani says:

    Concordo com você. Como historiadora, dá até revolta ver uma pessoa vomitando tantas idéias nada a ver, sabe.
    Pior de tudo é ver gente que você considera inteligente compartilhando esse tipo de coisa, só pq é o Gentili. Da minha parte, nunca vi nada de bom desse cara.

    Beijos!

  24. jaaniele says:

    Eu não vi lógica nenhuma no texto do Danilo. Cada argumento que ele usa só afirma a hipótese que desencadeou a resposta dele.Nenhum preconceito justifica outro, NENHUM! Esse tipo de coisa só serve pra percebermos que hoje o racismo no Brasil é tímido e covarde.

    Sou negra em Brasília, uma cidade muito desigual, e sei das dificuldades que existem no trato de um tema como esse.

    O Alex Castro tem uns textos bem interessantes sobre o assunto, que fazem agente pensar melhor sobre o fato de “não existir racismo” e sobre as alegações de que “o negro que é racista”
    http://www.interney.net/blogs/lll/?s=racismo&sentence=AND&submit=Busca

    Já passou da hora de esse tema parar de ser tabu, acho que hj o maior problema é o silêncio e a falta de informação.

  25. Lu says:

    Olha,
    O mundo é branco. Eu, negra há 37 anos, sei disso “na pele”. Então, estudo mais, trabalho com mais dedicação, chego a ser considerada ridícula de tão honesta (tipo devolver um canudinho que veio a mais no lanche) porque se não fizer isso, serei julgada simplesmente pela minha cor, e é uma responsabilidade que todo negro deveria assumir pra si, siimm.
    Agora, quanto à etnia escravizar etnia, o pessoal do leste europeu vende as próprias filhas de 13 anos pro tráfico de mulheres. E são beeem loiros. É coisa do tal do Ser Humano, essa raça mediocre.

  26. Debs says:

    Mais amor ainda por você, Fer. Muito mais amor.

    Me dá uma certa repulsa as pessoas compartilhando esse texto do Gentilli porque eu fico imaginando se será possível que a sociedade realmente não enxerga essas coisas que me parecem tão óbvias.

    Enfim, sou neta de negro, tenho “cabelo ruim”, sofro pra aceitar meu cabelo, meu corpo grande perto do das européias curitibanas, meus cachos que não estampam revistas… sofro muito. Mas estou caminhando pra me amar e me aceitar. É devagar e sempre, mas estou sim..

    Sobre fazer piada com preconceitos, não é mais difícil, é apenas humor de verdade. Hoje em dia qualquer vagal preconceituoso (sorry) é stand upper. Fazer graça fazendo piada com minorias é fácil, amigo. Quero ver ser um gênio da comédia estilo Monty Python e fazer humor com humor, referência histórica e inteligência de verdade. Isso, sim, é ser humorista. E ele ainda cita o Ed Murphy que pra mim é uma vergonha pra nós (ok, sou branca tipo um requeijão, mas sou negra nas formas, no nariz, no cabelo e principalmente na ascendência. logo, mais negra que branca =D).

    Só queria te mostrar duas coisas: uma o texto da Lola que diz exatamente o que eu penso sobre toda essa babaquice http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/06/eterna-parada-dos-sem-nocao.html

    E o que eu tive coragem de fazer no meu cabelo graças a você que super me inspira a ser quem eu sou e me aceitar e me amar do meu jeito:
    http://www.fashiondescontrol.com.br/e-tendencia/descontroladas-por-ai-transformando-no-lolitas/

    Brigada, Fer, por dar inspiração e vida inteligente à blogosfera.

    Opa, falei demais pra varia.
    Beijo!

  27. Letícia says:

    Vc está certissima Fernanda. Não tem nada naus tosco que gente branca querendo ensinar pros negros oq é preconceito, homens quererem explicar pras mulheres oq elas podem considerar estupro…e ect.

    Gente tosca.

  28. Catarina says:

    Olha, essa é uma questão bem polémica mesmo! E eu nunca vou poder entender as coisas como elas são porque não passei pelos preconceitos que os negros passaram e passam. Mas vou falar-te como uma branca moçambicana, que é uma minoria neste país, minoria mesmo. Nunca, em toda a minha existência, senti um pingo de racismo da parte dos negros aqui. Sempre estudei em classes cheias de negros, mulatos, muçulmanos, hindus, etc, em que, regra geral, eu era a única branca. E eu te juro que nunca, em momento algum, me apercebi de que os meus colegas eram diferentes de mim por causa da cor, nunca ninguém questionou a questão da cor. E é isso que me faz gostar de ser moçambicana, sabes? As minhas amigas sempre foram negras, eu sempre fui a única branca do grupo, a minha melhor amiga é negra e nunca tivemos problemas por causa disso. Fico muito p**** da vida com pessoas como esse idiota desse Danilo, sério! Olha, nem sei se o que eu escrevi faz algum sentido, mas queria só falar um pouco da minha experiência…desculpa o texto enorme!

    • Fernanda Alves says:

      Você vive uma experiência que é quase o inverso da nossa, Cat! Aqui os negros são minoria nas universidades, nos cargos de gerência… quantas vezes eu já notei que era a única negra em um restaurante?

  29. Renata says:

    Eu sou branca. Fui criada ouvindo esse tipo de piada mas desde muito cedo, graças eu acho à minha mãe e à minha avó materna, que sempre foram pessoas muito sensatas, não incorporei o racismo. Mesmo. A única coisa com que eu concordo com o Danilo é que somos todos de uma raça única. A minha opinião é que, dizer que o orgulho negro justificaria o orgulho branco é tão sem sentido quanto dizer que o orgulho gay justificaria o orgulho hetero… São histórias totalmente diferentes, nem o branco nem o hetero tiveram historicamente que lutar por respeito.

    • Fernanda Alves says:

      Também gosto de comparar essa história do orgulho negro com o orgulho gay. Pq o cara sair com uma camiseta “100% negro” é algo forte, uma questão de orgulho, imagina sair com uma camisa “100% gay”? O processo é bem semelhante.

  30. Marina says:

    É isso.

    Lembro das vááárias vezes em que, em meio a alguma conversa, me digo negra, com todas as letras, e sempre vem o interlocutor e fala “que é iiiiiiissso, vc é quase da minha cor, olha só [já encostando o braço para comparar! rs. Sai pra lá!!!! – penso eu!]. Que negra, menina! Não diz isso…”

    Qual o problema de eu dizer isso? Pra quê esse pesar nas palavras das pessoas, né? Por mais que o discurso pré-fabricado do “somos todos de uma única raça – a humana” seja proferido sem se pensar no real sentido dessa afirmação, a noção de que ser negro é um fardo, é inferioridade, é feio, é ruim está arraigado no entendimento – e nas entrelinhas/falas- de muitos.

    Eu super concordo, só para ratificar, com o que vc falou, Fernanda, em relação à questão da auto-aceitação. São histórias completamente distintas. Eu, hoje, com 26 anos, me sinto feliz por me sentir bem com minha cor, com o meu “cabelón” cacheado (LINDO! modéstia à parte rs.”), com o que eu sou, enfim. Passei a adolescência até o início da fase adulta lutando com todas as minhas forças contra o que eu sou e me lamentando por não ter nascido diferente. Agora, depois de muito treino, terapia (tive a sorte de poder contar com ajuda, mas, e quem cresce sem nenhum referencial, sem estímulo à construção de uma boa auto-estima e não pode ser orientado?). Ainda tenho umas recaídas às vezes, mas a tendência é melhorar, sempre. E, felizmente, acho que os jovens negros/as devem ganhar, cada vez mais, um referencial de aceitação para si, como todos devem ter, independetemente de cor.

    • Fernanda Alves says:

      Quando puxa o braço pra comparar a cor é o FIM! Tipo “não se coloque pra baixo, menina, você é tão boa quanto eu!”.
      Não digo que as pessoas façam isso por maldade, como forma de humilhação nem nada disso. Acho que é um comportamento racista que está enraizado na gente, e ponto. Só nos resta reconhecer e lutar contra isso.

  31. Aninha says:

    caraca, vc leu meus pensamentos….hj mesmo compartilhei esse texto dele no facebook justamente por achar a justificativa dele absurda. Penso exatamente da mesma forma que você.
    Uma vez fui ao posto de saúde e na hora de preencher a ficha a funcionária perguntou a minha cor, eu disse negra e ela parou de escrever e ficou me olhando de cara feia, pode? só porque eu tenho a pele mais clara. aí eu repeti: negra e ela preencheu, mas continuou de cara feia.

  32. rboroli says:

    adorei este post. reproduzi onde pude com link pra cá. tá tudo escrito de uma forma tão simples e tão gentil.

    espero que seu texto circule tanto ou mais do que o do danilo e que todo mundo que leu o dele possa ler o seu e entender que não é a mesma coisa, não tá nem perto de ser.

  33. Nina says:

    Bah guria, isso que escreveu, é totalmente real, e sempre fico pensando principalmente no fato de um engraçado e arteiro bichinho, soar como uma ofensa e depreciação à alguém (é triste), mas vou te contar uma coisa que passei tempos atrás com uma ex-vizinha no estacionamento do meu prédio, bom, ela tinha a péssima educação e mania de estacionar o carro dela na MINHA vaga… Não adiantava o porteiro advertí-la falando que em questão de pouco tempo eu chegaria, e claro, iria querer estacionar o meu carro na MINHA vaga, enfim, na terceira vez me irritei, e chamei o síndico (Tim Maia, brinks rsrsrs), expliquei tooodo o ocorrido e ele simplesmente falou: chama o guincho! E foi oq fiz. Bom, na hora que a infeliz ficou sabendo que o carro dela estava sendo guinchado, ela surtou, desceu aos gritos, feito louca – a documentação dela estava irregular, o carro cheio de multas – e quando me viu, começou a me chamar de macaca, de vagabunda, que eu só tinha carro e poderia morar lá pq deveria ser prostituta…enfim, deixei a louca vomitar tudo, e falei pra ela q ela poderia me chamar a vontade de macaca, pois achava aquele bichinho uma graça, e que se a real intenção dela era me ofender, ela deveria ter trazido um espelho beeeem grande, e colocado na frente dela, dai, o que refletisse ali, seria uma ofensa, pois cada ruguinha e marquinha que ela tinha, não eram causados pelo tempo, mas em razão da alma podre de pequeno burguês que ela ostentava, e claro, maior ainda seria a ofensa, se ela viesse acompanhada do que ELA era de fato além do reflexo no espelho; e repeti falando que NADA referido à minha estética, à cor da minha pele, me ofenderia (e gente, sério, NÃO me ofende!), pois isso NUNCA foi o mais importante…Lembro que falei prá ela que isso de tentar ofender alguém ressaltando cor de pele, cabelo, sotaque, ou qq outra coisa que fosse do exterior, só provava prá mim, o qt ela era estúpida, crua, vazia, e o quanto de nada adiantava tooodas as roupas grifadas da fofa, nem o melhor perfume, pois o cheiro de miséria, exalava de dentro dela, além da terrível falta de educação… enfim, acho que a minha reação em relação ao que ela me falou, a deixou muito desconcertada, pois ela não tinha mais do que me xingar, pois o q ela aprendeu, descobriu que comigo, não funcionava, pois quanto mais ela me chamava de macaca, eu acrescentava outro bichinho que adoro, como girafa, e no meu caso, girafa marrom, por exemplo, rs… Enfim, acho que essa atitude mais fria e sarcástica, vai de cada um, claro, mas que cabe refletir, cabe. Mas reafirmo que se isso dói em alguém, é pq tem que ser revisto SIM, tem que ter cuidado SIM, e banido, combatido, pois como disse, a intenção é ofender, denegrir, acabar, mas também, não devemos fazer isso da msm forma, TEMOS que recontar essa história direito, sem ranço ou orgulho estúpido também, e claro, nos indignarmos com as tentativas de camuflar ou ludibriar o quão cruel e desumano foi a escravidão- lembram da propaganda da Caixa? rsrrs DEUS! Enfim, esse orgulho tem que existir não no sentido segregacionista(infelizmente muitos movimentos negros tem feito isso tb), mas também devemos enterrar as algemas e nos livrar do ranço que essa dor de exclusão causa, e claro, gostar mais do que somos antes de tudo: GENTE que quer ser melhor como gente a cada dia!
    Beijos sua linda…

    PS. Danilo Gentilli é a resposta nua e crua do que em partes é parte desse povo brasileiro: cordial, mas não quer dizer que seja bom! To cansada desse galera que não tem na-da de real a dizer, ter voz na mídia… vamos de mal a pior……….. muita simulação e necessidade do hiper real, e pouco conteúdo, pouca serenidade…

    Arght

  34. Juli says:

    Adorei. Concordo com tudo. Quando escuto palavras pejorativas a meu respeito,logo eu digo: “preconceito é crime está na Constituição e dá cadeia. Vai insistir ou quer ir preso?”.

    Sofro muito preconceito por ser descendente de indígenas e na cidade onde resido do interior onde a maioria tem sangue europeu.
    Pior que até a família do meu marido já usou termos bem pejorativos . Então sentei com eles e expliquei tudo sobre preconceito desde a parte histórica, a parte psicológida e jurídica.E que me respeitem!E respeitem as outras pessoas.

    Não deixou passar nunca! Se alguém faz piada ou debocha de alguém por ser Negro ou índigena, terá que me escutar.

    .

    Temos que ter orgulho de quem somos e da nossa história.

    Parabéns pelo texto!

  35. Compras Coletivas says:

    Racismo é totalmente desnecessário e somente mostra fracesa e insegurança. Falo aqui de ambos os lados. Mas eu acho que resumiu um pouco básico demais dizendo Negro pode e Branco não devia e isso por causa da história. Existem ambos os lados extremos e quando vira extremo perde a razão, seja negro ou branco. Só minha opinião…

  36. Aline says:

    Eu acho que é muito fácil falar de certas situações quando não estamos enquadrados nelas… eu divido a mesma opinião que você, Fernanda! Adorei!
    A repetição do compartilhamento desse texto do Gentili estava me incomodando muito, mas não tinha conseguido formar uma opinião certa sobre isso… e vc disse mta coisa que concordo. Parabéns!

  37. Luísa Ferreira says:

    Fê, você é genial, parabéns!

    Li a resposta do Danilo e ele não podia ter justificativas mais absurdas.. Incrível como ele consegue ter aquela lógica de pensamento, será que ele pensa mesmo daquela maneira? Estou pasma… Um completo idiota e, infelizmente, ele faz parte da maioria, AINDA! (medo!)

    Compartilho da mesma opinião que você. Mas chego a ter pena de quem acha legal e engraçado chamar negros de macacos.. quanta falta de qualidade no humor! Da mesma forma que eu, nordestina com orgulho, ao dizer que sou baiana já ouvi comentários do tipo “Aaah, nem parece..!” e aquele sorrisinho simpático🙂 COMO SE ESTIVESSEM ME ELOGIANDO. Juro que nunca entendi o porquê disso ser um elogio.

    Estou certa de que, assim como as mulheres, os negros conquistarão cada vez mais espaço para mostrarem sua capacidade, inteligência e criatividade e provarem a todos esse limitados que cor de pele não faz diferença alguma. Pra mim, até hoje, nada conseguiu me convencer disso!

  38. talita says:

    Concordo com Danilo quando ele diz que a raça que existe é a raça Humana. Sou mulata e meus avós de ambas as partes eram negros e na minha familia há misturas de pessoas com pele clara, com pele escura e os “cafezinhos-com-leite”, como é meu caso. Penso que, por questões histórias, os negros no Brasil possuem uma certa auto estima abalada. Acho necessário concientizar que somos Todos brasileiros e não deve existir APENAS orgulho negro ou branco ou niponico ou seja lá que for, mas orgulho de ser brasileiro!!
    O racismo existe sim, não tem como negar e algumas vezes velado, o que é pior, mas por essas andanças por esse Brasil varonil percebi que o preconceito muito mais acentuado na nossa sociedade é de classes sociais! Entre um negro rico e um branco pobre, não tenha duvida que o pobre vai ser muito mais discriminado que o rico, mesmo sendo negro!!
    Não sou muito fã de Danilo Gentili nem desses novos humoristas que gostam de ridicular os outros para mostrarem que são engraçados e posarem de intelectuais (por ex. Rafinha Bastos e aquela turma do CQC) mas sou ultra-mega-hiper-fã de Mussum, que na minha humilde opinião, foi o melhor humorista de todos os tempos e que mesmo sendo negro, fazia muitas piadas sobre sua negritude e inclusive, há um episódio dos trapalhões onde ele faz esse trocadilho sobre macaco e sinceramente, não foi depreciativo muito menos desrespeitoso. Ele era negro, não se sentia inferior por isso e tinha plena consciencia que era apenas uma piada e pronto!
    Passou da hora dos brasileiros assumirem sua brasilidade e deixar de ser colonia americana, importando esses discurssos sobre “raça negra”, “raça branca”, orguho disso, orgulhos daquilo!!
    Abraços!

  39. Amanda says:

    Acho que só existe lugar para o orgulho negro,pq é preciso te-lo!Do contário você não sobrevive (não decentemente!).É triste saber que existe o preconceito racial.Sentir isso sendo da classe média,fazendo uma boa faculdade,cursando um curso considerado de elite, já é tenso,imagina então a situação do negro pobre,que precisa entrar toda vez por uma entrada de serviço,que é considerado inferior pelos outros,que não os olham nos olhos ou não falam com eles com educação? Olha isso é triste de mais.
    E se você namorar um rapaz branco então? hahaha! aí é que vem a desaprovação geral! muitas vezes do lado negro da sociedade quanto do lado branco também!
    Outro dia estava no mercado com o meu namorado(acho q foi no Extra Sans Peña,ou Tijuca..ñ lembro) e uma senhorinha ficou olhando com cara de nojo pra mim!ela ficou tão incomodada com a minha presença, que foi perceptível ao meu namorado,era uma cara de ódio como eu nunca tinha visto e quando passamos por ela no corredor, ela murmurou: _ Esse tipo de gente…
    Automaticamente me analisei para ver o que de errado tinha comigo para uma senhora fazer aquela cara e soltar aquela frase.E o único motivo era eu ser negra. Há essa altura da história meu namorado já tinha percebido o preconceito e já estava puto da vida, querendo fazer um escandalo!E eu superrr constrangida,quase pedindo perdão á velhinha por eu ser negra,querendo fugir da situação que era constrangedora e humilhante…
    Enfim.. a camiseta que diz 100%negro eu acho + do q idiota, até pq ninguém sabe se o é ou não. Mas é sempre importante conversar sobre o tema preconceito.Esclarecer à população é necessário!Sendo negro,branco,índio… respeito é fundamental, e todos devem respeitar a igualdade.

    bjos Fe!

  40. Heber says:

    Li o texto, aceito os argumentos e os acho completamente válidos, mas eu conheço pessoas que usam a bandeira do “100% negro” de forma preconceituosa sim. eu nao estou dizendo que o Danilo Gentili está certo ou errado, estou dizendo que sim existe uma perpetuação do preconceito que é levado pelas próprias “minorias” (e coloco entre aspas porque em se falando de afrodescendentes de forma geral é a população maioritária do país, eu mesmo posso me considerar afrodescendente e indigena, uma de minhas tive duas bisas negras e uma indigena). Como assim? Já conheci Homossexuais que olhavam pra minha cara e falava, “nossa você é Hetero” como se fosse a coisa mais nojenta da face da terra. Eu já vi gente virar e falar que eu sou branquelo… o que nao é uma verdade… nem uma mentira, tudo depende de qto tempo eu passo dentro de casa rs… assim, eu acho que esse caminho que se está traçando se assemelha ao traçado pelos EUA sem as guerras civis. entende? tipo Nos EUA a segregação entre brancos e negros (apesar de negada oficialmente) é amplamente vista nos filmes, séries, bairros, lojas… eu temo que aqui a gente caminhe pra esse lado… por exemplo (sei que vou levar pedrada de alguem) sou totalmente contra o esquema de cota para negro, indios, etc… acho que a reparação que o país precisa nao é considerar qq lugar como um novo kilombo sem qq comprovação, acho que a reparação que o país precisa é por igualdade social, e isso nao se faz com cota por etinia, mas sim com cota para pessoas de baixa renda por exemplo… mas enfim já estou divagando …rs o que eu queria dizer é que em grande parte os argumentos dos dois tem grandes pontos a ser levados em consideração…😉 mas todo tipo de segregação deve ser observado com cuidado e carinho pra que erros do passado nunca mais se repitam.

    • Fernanda Alves says:

      Só um comentário sobre os EUA: por mais segregacionistas que sejam, os americanos tem inúmeras séries, programas de Tv, ídolos e figuras políticas negras. Isso serve como inspiração para uma série de jovens. Um Will Smith, uma Condoleeza Rice, são personagens que mostram que é possível ser negro e estar em qualquer esfera da sociedade. Aqui, você se você assiste a Globo, por exemplo, pode até pensar que quase não há negros no Brasil, não é mesmo?

  41. cnsilva says:

    Oi Fê! Nem preciso dizer o quanto concordo, né? rs
    A história da carteira de identidade, vc já tinha me contado num post meu que batia exatamente nessa tecla.

    Aliás, ontem fui fazer trilha na floresta da Tijuca com um grupo grande, deviam ser umas vinte pessoas, mas não conhecia todos os integrantes. Teve uma hora lá que o pessoal começou a brincar com um colega deles (que era negro, claro) por causa de uma placa sobre não alimentar os animais.

    Cara, até ali eu estava me divertindo, o pessoal era super engraçado… Mas nessa hora me bateu um raiva, sabe? E uma tristeza junto. Reparei que o garoto que estava sendo sacaneado sorria pra não ser desagradável, mas estava meio constrangido. Ninguém percebeu. Só eu. E percebi o quanto é difícil lutar contra. Se o garoto tivesse demonstrado que não gostou, ia estragar o clima descontraído do passeio, e ia passar por chato, paranóico. Então, a brincadeira continuou e ele manteve um sorriso cabisbaixo…

    Pra mim a diversão acabou ali. E fico feliz de conseguir perceber essas coisas hoje em dia. Pra quem não é negro, isso passa batido. Mas pra mim, não mais. Que bom.

    Beijos pra você, lindona!

  42. Ceci says:

    Fernanda,
    Adorei seu post, li a resposta do Danilo na semana passada e fiquei super incomodada com ela e com a repercussão no facebook. Muitas pessoas compartilharam a resposta como se ela fosse brilhante, não era.
    Era uma defesa fraca de um cara que mandou mal, muito mal. Pensei em vários aspectos do texto dele, mas como sou professora de história vou falar somente sobre aquilo que ele chama de África.
    Como a maioria das pessoas ele generalizou todo um continente e disse que na “África a escravidão era comum”. Ele não faz ideia, para ele África é um grande estereótipo, um país e não um continente, um mundo primitivo. Isso é o senso comum, costumo fazer uma dinâmica com minha turmas onde peço a eles que me digam tudo que vem a cabeça quando falamos de África, o Danilo reproduziu ideias que crianças e adolescentes tem sobre África.
    Faltou explicar a ele que a África é um continente, continente esse com uma incrível diversidade cultural. Com diversos reinos(as primeiras universidades do mundo surgiram em reinos africanos), povos, tribos, com árabes, muçulmanos, cidades riquíssimas e muitas, muitas outras coisas.
    Essa visão da África como um todo é a visão eurocêntrica, visão essa que o Danilo parece compartilhar, talvez se ele tivesse se informado um pouco mais poderia ter feito piadas mais inteligentes, sem precisar recorrer aos estereótipos racistas de sempre.
    Agora, vou lá montar uma aula-debate sobre África e o texto do Danilo e volto já.

  43. Marina says:

    Oi Fernanda, leio seu blog ha algum tempo, gosto muito de você e quero te parabenizar por este post. Também sou negra e entendo muito bem o que vc quer com o processo aceitação de nós mesmos que temos que passar, e concordo com tudo que vc disse no post. Além de super alegre, simpática e linda, vc e muito inteligente. Uma verdadeira inspiração pra nós negros, que tanto precisamos de ídolos que se pareçam conosco.
    Beijos

  44. Luana says:

    Achei o seu post irretocável.
    Simplesmente não tenho mais paciência com uma pessoa tão ridícula como esse humorista(?). As piadas são tão estúpidas e degradantes, e o que me dá mais raiva é receber dezenas de compartilhamentos no facebook sobre o que esse cara disse, como se isso fosse inteligente.

  45. nathalya says:

    Sou branca, e que diz na minha certidão.
    Porem quando tinha mais ou menos 5 ou 6 anos, e sempre fala que queria ser “neguinha”, sempre achei( e aindo acho ) bonita a pele escura, pois minha mãe tem pele morena.
    Mas, as outra pessoas sem falavam : mas como assim, você e tão linda menina etc. Agora vejo que isso e um certo preconseito, hoje, ou melhor desde sempre, você querer ter cabelo enrolado e pele escura e uma estrema anormalidade. Ter orgulho de ser negro, e a mesma coisa que falar que você gosta de comer lixo
    Infelismente nem persebemos esse preconseito.
    As vezes, como a Fernanda falou, nos nem percebemos que aquela brincaderinha de achamar alguem de macaco, uma inocente brincadera,magoa e muito

  46. Fernnandah Criloura says:

    Como muito bem colocado por ti, Fernanda, no Brasil a formação do pensamento social aos negros é completamente diferente dos europeus e tampouco da formação social dos negros norte americanos.

    Aqui, os negros foram escravizados, expostos e ridicularizados, como somos até hoje. Falar da escravidão é falar da ausência de oportunidade à qual muitos estão submetidos, seja pela ausência da educação ou de outros elementos que compõem os seres a se verem e se sentirem como pessoas. Na Europa, este pensamento foi voltado para o humanismo, onde o homem (branco) está no centro do mundo.

    Os negros norte-americanos teve em sua formação social voltada ao povoamento. Portanto, numa lógica de oportunidades e direitos um pouco melhor que a dos brasileiros. Lá vive-se um racismo de fato, mas os negros e brancos tem esclarecimentos evidentes sobre o preconceito que se vive e se pratica.

    Aqui no Brasil muitos se apropriam de um trocadilho imbecil para tentar ofender negros e pardos sabendo que está se tratando de um gesto racista e depois vem tentar se justificar dizendo não ser nada disso.

    Para estes e outros equívocos e desculpas existe instrumento legal e jurídico para eventuais justificativas.

  47. Miss Silly Me says:

    Oi Fernanda!
    Parabéns pelo texto e parabéns também a todas as suas leitoras que deixaram comentários aqui.

    Gostava só de partilhar a minha experiência. Sou Angolana, mestiça (cá chamam ‘cabrita’, pois…) filha de pai branco e mãe mulata, e não posso dizer que sofri na pele racismo tal como vocês tão bem descreveram, mas ‘sofri’ e continuo a ‘sofrer’ de uma forma diferente. Negra demais para ser branca e branca demais para ser negra… Quando me perguntam a raça respondo mestiça, porque na verdade tenho tanto de branco como de negro e não seria justo para qualquer um dos meus progenitores ‘favorecer’ um em ‘detrimento’ do outro. Fui para Portugal pequena (3 anos) vivi lá durante toda a minha vida e só regressei agora, casada e com dois filhos. Nunca fui descriminada por ser mestiça mas sempre fizeram e continuam a fazer outro tipo de discriminação, como por exemplo na escola quando contavam esse tipo de piadas sobre negros na altura de todo mundo rir, menos eu por não achar a mínima piada a anedotas que rebaixam um ser humano, olharem para mim e dizerem “Ah desculpa!… mas também tu és quase branca como nós…”
    WTF?!… alguém me explica o que isso quer dizer?!… Ou quando tive filhos e o meu filho saiu mais claro que eu (o meu maridão é mulato, filho de pai branco e mãe negra) e me disseram “estás a apurar a raça, tens bom ventre”… Hell no!… nem sei o que isso significa!
    Bem podia continuar a dar exemplos destes mas acho que já deu para ter uma ideia… todo mundo fosse mente aberta, inteligente e culto como vocês…

    Jokas
    Miss Silly Me
    Cluelessbyfashion.blogspot.com

  48. rafaela1984 says:

    Nossa, se eu já te admirava pelo bom-humor, estilo lindo, e beleza sem igual, agora te admiro ainda mais! Concordo com absolutamente tudo que escreveu e acho que essa é a maior prova de consciência do mundo e do país que vivemos! Adorei! Adorei! Adorei! E chega de Danilos Gentilis misógenos e racistas nessa mídia!!!!

  49. Gabriella says:

    Não podia concordar mais com esse seu post! E a propósito, sempre detestei esse Gentili.

    Posso compartilhar uma experiência? Eu não chego a ser negra, mas sou a única pessoa morena na minha família materna. Minha vó paterna era morena, e eu puxei a ela. Meus pais são brancos, assim como toda a minha família materna. Eu nunca liguei pra isso, sempre gostei da minha cor e nunca sofri preconceitos (pelo menos não que eu saiba, porque sei lá se falam algo por trás). Mas tenho um “tio” (marido da minha tia… enfim) que de vez em quando “esquece” que tem gente fora do mundo dele e faz uns comentários meio preconceituosos. Por exemplo, ele já falou brincando pra essa minha tia: “casar com uma neguinha? estou fora, hahahah”. Aí eu fiquei lá, olhando pra ela com cara de tacho… enfim né. O preconceito também está presente nas brincadeiras, e acaba ofendendo quem vc menos espera.

  50. Luana Martins says:

    Adorei o post mas não concordei… Assim, sou negra, sempre tive orgulho disso, independente de ter ou não referências, é algo que vem de mim, por isso não sinto-me ofendida ou diminuida… Sei lá, sabe quando somos pequenas, nossos irmãos nos dão apelidos e, quanto mais nos incomodamos, mais o apelido fica??? Então, acredito que somos apenas aquilo em que acreditamos e só nos deixamos abalar pelo mesmo motivo… Acredito que a cada vez que abaixamos a cabeça ou aceitamos uqe nos chamem de “morena” estamos nos rebaixando bem mais do que quando soltam uma piadinha de mal gosto… Deviamos mostrar, primeiro nós, que nos aceitamos o que nos faria não nos abalarmos com toda e qualquer coisa que falam… Pq acho ridiculo ver pessoas negras se definindo como morenas, com argumentos de “ai, mas meu cabelo não eh tão duro” blá blá blá igual o super alvo do Neymar… Acho que ser Negro eh motivo de orgulho e aceitação, e quem chega nesse estágio deve passar batido por essas provocações/provações, afinal quando nos aceitamos não necessitamos da aprovação de mais ninguém! bjs bjs!

  51. Kate says:

    Oi fe, que saudade.

    Então, eu não poderia, jamais, de participar dessa discussão. Achei seu texto e todos os comments muito inteligentes e queria fazer meu acréscimo.

    Ja quero começar dizendo que eu me considero negra (daquela que brancos chamam de, moreninha). Minha mae é negra (uma mulher lindíssima) e meu pai é um imigrante italiano branco papel.

    O preconceito ja iniciou no casamento quando minha “tia” disse: e a cor dos seus filhos?

    Enfim! Não venham generalizar. Que existem piadas de loiras, de gays de negros. Sim, existe. Cada qual com sua carga de preconceito. Cada um sabe a sua dor. O fato de existir piada de mal gosto com a geral não significa um comportamento passivo diante disso.

    Meu pai, branco, casado com uma negra faz piada do vizinho (negro, na frente dele) como se fosse a coisa mais engraçada do mundo.

    Não é. Não pelo fato da piada em si, mas de tudo que o preconceito carrega e quem viveu sabe do que falo.

    Honestamente, os preconceitos que sofri nunca foram por ser negra, mas, por estar fora do padrão. Sou baixinha, cabelo crespo, negra, corpo nada magricela, enfim… Fora do padrão.

    Carioca, vim morar no Sul com 12 anos. Foram poucas as vezes q o preconceito referenciou minha pele, mas foram MUITAS em q ele referenciou minhas diferenças e que, estar fora do padrão, atrasou sim minha vida.

    Fiz vestibular, passei em concurso, etc, tudo fora da “cota” para negros pois não “me encaixo” mas, na hora do preconceito, eu me encaixava.

    É complicado, e é Brasil. Me desculpem. Ja fiz Europa quase inteira, EUA, etc. Sou muito mais bem tratada la do que aqui!!! E assim, freqüentando YSL, LV e outras lojas “chiques” la, cansei de ver negras, gordinhas, baixinhas, trabalhando. Vai na oscar freire e me mostra uma negra ou uma gordinha trabalhando? Beeem difícil.

    O Brasil, se coloca como um lugar sem preconceitos. Infelizmente, na MINHA experiência, é o lugar onde mais vejo. Pode ser que eu esteja errada, sim. Mas a impressão ficou.

  52. Alexandra says:

    Fernanda, que saudade do seu blog! Fazia um tempinho que não passava por aqui!
    Adorei o post, e enquanto lia me lembrei de um documentário chamado Blue Eyes, já assistiu ou ouviu falar? É a história de uma professora americana que nos anos 60 fez um experimento com crianças brancas e de olhos azuis. Nesse experimento elas eram submetidas as situações de preconceito que as crianças negras americanas passavam a época. Anos depois ela repetiu o experimento com adultos . Vale muito a pena assistir, dá para ver do youtube! É impressionante, passei a ver e entender muito melhor algumas coisas.
    Beijo!!

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