Vamos falar de novela?

Eu sou noveleira. Eu adoro televisão. Tirando as bizarrices que são Faustão, Gugu e companhia, eu vejo quase tudo, principalmente novela. Quem é meu amigo no feice já está até acostumado com meus links de cenas da novela das seis, por exemplo (inclusive fiz um post sobre ela aqui). E hoje estreia mais uma novela nova, das oito, pra deixar a Gloria Perez com friozinho na barriga depois do ultra-mega-sucesso que foi Avenida Brasil. E eu queria dizer que, como noveleira, não vai dar para acompanhar Salve Jorge. Pelo menos não agora. Não depois do nosso #oioioi… pq essa novela mudou tantas coisas nas novelas que eu acho que vai ser dureza voltar para o arroz com feijão.

Avenida Brasil foi incrível pq:

♥ Mostrou um subúrbio menos esterotipado

Não dá para dizer que “O Divino é o retrato do Brasil”, como muita gente gosta de esbravejar, mas de fato você via as pessoas falando todas ao mesmo tempo (como geralmente acontece na casa da gente), falando de uma forma crível (a Olenka e todo o núcleo do salão falavam de um jeito muito cariocão) e se vestindo dentro dessa realidade;

♥ O figurino foi verossímil

A gente está acostumado a ver na TV os personagens usarem terno e salto alto em casa, né? O cara chega do trabalho e a mulher está preparando um uísque pra ele usando um longo de festa. A menina pobre usa Farm e Cantão, sabe como? Em Avenida Brasil, pela primeira vez eu vi personagem repetindo roupa. Suelen usando legging que poderia ser da feirinha, Darkson de regata, Leleco também com os bracinhos de fora. A primeira fase então, alguém lembra? Carminha usando camisa sem manga, pochete, sandália daquelas de velcro, saia jeans feita de calça reformada. Demais;

♥ Um tema: vingança

Crianças abandonadas em um lixão com um catador alcoólatra, olha que pesado? E a vingança permeou toda a trama – acho que foi por isso que gostei do fim, que coroou o perdão, redimiu a Carminha e trouxe paz para a chata da Nina;

♥ Um montão de revelações

O Adauto, pra mim, foi o rei dessa novela. Juliano Cazarré, que já tinha feito um milhão de filmes brasileiros pode, finalmente, ser conhecido pelo grande público, parado na rua, ser capa de revista. O mesmo aconteceu com uma série de outros personagens que tiveram a chance de crescer, como a Fabíula Nascimento (Olenka), a Cacau Protásio (Zezé), o José Loreto (Darksson) e a Mel Maia, que interpretou a Nina quando criança;

♥ Coisa de cinema

Eu gostava muito de reparar na câmera dessa novela. Na sequência que culminou na morte do Max, a câmera tremia, seguia colada nas expressões faciais dele. Outra cena incrível foi aquela em que Max e Carminha dançam juntos no barco dele – ele acreditando que fugiriam juntos; ela pedindo perdão por estar envenenando-o. O texto bacana, e a câmera com jeito de cinema e a trilha deixavam esses atores na cara do gol;

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♥ Carmen Lúcia, sua diva

Adriana Esteves merecendo um Oscar. Ponto.

♥ Fenômeno Social

Em um momento em que o facebook está no auge no Brasil (brasileiro adora mídias sociais!), não se falava de outra coisa online. Eu mesma via a novela conectada no twitter, seguindo um monte de gente que fazia o mesmo (os melhores comentários de todos!).

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Esses são só alguns motivos para não ver Salve Jorge, viu? Pelo menos não nesse começo, não com uma delegada que usa roupas vindas direto da passarela dentro de casa, não com o herói da história sendo militar da UPP (Eduardo Paes, o prefeito eleito do Rio, deve estar felicíssimo com a propaganda gratuita em ano de eleição), não com os mesmos atores que sempre fazem as novelas da Glória Perez (seeeeempre os meeeesmos!), não com as pessoas indo para a Turquia como se fosse São Paulo, não com todo mundo dançando no meio da sala. É tudo muito previsível, sabe.

E vocês, também são noveileiros?

Fim de Semana Animado!

Eu adoro fim de semana em que todo mundo resolve marcar tudo: dois aniversários, um churrasco, um chá de panela, acho que serve para compensar aqueles dias em que você fica sentada no sofá assistindo o Faustão (#depressão). Eu sou do tipo que gosta de rua, cerveja e gente e, nesse período nebuloso em que fico mais em casa do que na rua, o que mais quero é que chegue o fim de semana para eu me arrumar, mudar o cabelo, fazer uma maquiagem…vocês me entendem?

Esse sábado fui a dois aniversários e voltei pra casa às 5 da manhã. Yay! Resolvi colocar uma saia mais justinha (João reclamou a princípio, mas oras, nem é tão curta assim) e pentear o cabelo diferente. Dividi no meio, me maquiei, fui tirar as fotos e CACETE! Ficou horrível! Mudei rapidinho quando estava saindo de casa. Eu definitivamente não fiquei bem com esse cabelo dividido no meio.

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CREDO! (saia Basthiana, blusa Maria Filó, Sapatilha Karamello, colar Renner)

Mas as festas foram bem boas. A primeira já é um evento tradicional na casa de um amigo nosso, Caio, vulgo Mestre (não, não temos um Soneca ou um Zangado), para tomar uma cerveja e jogar conversa fora. De lá, fomos ao aniversário da Rê, que comemorou junto com a Tatinha os seus 27 anos (na verdade era um aniversário triplo, tinha outra aniversariante tb), em uma editora/night club aqui do Rio (achei moderno, achei hipster). O DJ praticamente só tocou músicas dos anos 80, foi ótimo.

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Evoluindo na pista

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só love

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As aniversariantes

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Baile Charme do Divino

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Fim de festa 1

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Fim de festa 2

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Isso porque o horário de verão diminiu nossa noite em uma hora, viu?

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E vcs, curtiram o finde? Boa semana para todos!

Sophie Madeleine

 

Toda vez que alguém me pergunta o que eu gosto de ouvir, eu respiro fundo. Se a pessoa tem um gosto musical muito diferente do meu (tipo curte sertanejo, tipo é fã de Paula Fernandes, tipo, sei lá, acredita no valor musical do tchu-tchá), eu digo que, ah, não sou uma pessoa muito musical. Mas se a pessoa tem um gosto refinadíssimo, gosta de, sei lá, Miles Davis e John Coltrane e acha que não houve mais música brasileira de qualidade depois dos Mutantes, acaba que eu faço a mesma coisa. Ou se a pessoa gosta de todas as bandas novas brasileiras de meninos barbudinhos, também não teremos muito assunto.

Pq né. Eu sou a pessoa que gosta de Hanson – que diabo de gosto é esse?!

O fato é que, mais do que isso, eu não entendo de música. Então não é mentira quando eu digo que não sou uma pessoa essencialmente musical- na verdade, eu fico muitos dias sem ouvir nada. E quando ouço são basicamente as mesmas coisas: Hanson, Jackson 5, Los Hermanos, Nirvana, She & Him, Beatles. Não vou muito além. Comecei a ouvir The Ting Tings com 3 anos de atraso, sabe? E só gosto de umas 2 músicas da Lana Del Rey. Não sou moderna. Não sou erudita. Não sou popular. Tô meio que no meio termo de tudo.

A última novidade que ouvi foi a Sophie Madeleine, uma moça inglesa que se descreve como “uma velha que adora tomar chá”. Faz sentido, ela é inglesa, tímida e toca ukelele, um instrumento que, visualmente, lembra muito um cavaquinho. O som é uma delícia, dá vontade de ficar em casa, na janela, tomando chocolate quente e comendo bolo (ou café com leite e comendo pão. tudo me parece desculpa para comer nesses dias que estou em casa).

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Quem me fez conhecer a Sophie foi a Fêzinha, que postou esse vídeo no facebook. Desde então eu baixei o primeiro álbum dela (Love. Life. Ukelele) e agora estou pra baixar o segundo. Deu até vontade de baixar um álbum do Eddie Vedder (do Pearl Jam, aquela voz maravilhosa) em que ele também toca ukelele. UPDATE: Baixei Ukelele Songs, é coisa linda, não tem voz com aquela, minha gente.

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uma música sobre tricotar? Amei!

A importância do “núcleo negro”

Quando vi as chamadas da novela das 18h, Lado a Lado, confesso que o meu sentimento foi de desconfiança – mais uma novela de época, em que os personagens negros são só os escravos – mas logo no primeiro capítulo eu mordi a língua. Poderia dizer inclusive que, até mais do que Da Cor do Pecado, Lado a Lado é uma novela revolucionária.

Talvez “revolucionária” seja muito forte, mas entendam: a gente se acostumou a ver os atores negros organizados em nichos dentro das novelas, o tal do “núcleo negro”. Lembro, inclusive, de quando o termo foi empregado pela primeira vez, em uma novela que tinha o Milton Gonçalves e uma família negra de classe média. Já não lembro qual novela era, mas a questão é que eles estavam lá quase que preenchendo uma cota, dizendo existimos, estamos aqui, mas representavam muito pouco no que diz respeito a cultura popular (não lançavam moda, não eram ídolos dos jovens, não estrelavam grandes campanhas publicitárias,etc).

De uns tempos pra cá, os personagens negros foram se tornando parte integrante da trama, se misturando aos outros núcleos e tendo importância não mais pela cor da pele, mas pelo caráter e peso de cada personagem, como deve ser. Mas acredito que Lado a Lado se diferencie das outras novelas por trazer, em sua sinopse, negros e brancos (e mulatos, e pardos, e moreninhos) juntos. Camila Pitanga é tão protagonista quanto Marjorie Estiano, entendem? A destruição dos cortiços é tão importante no desenrolar da história quanto a independência da mulher. Na abertura da novela, as mãos negras estão ali, ao lado das brancas, como que construindo o enredo, isso é muito simbólico. E como é bom ver jovens atores tendo a oportunidade de desempenhar papéis diversos – Berenice é duas caras, Caniço é idealista, mas manipulável, Isabel é uma guerreira, trabalhadora braçal, mas fala francês, etc – que não só o de coadjuvantes.

Vai ter gente dizendo que isso já acontecia, que Sheron Menezes já foi protagonista de novela, que Camila Pitanga já é sinônimo de papel importante há tempos, mas eu repito: é importantíssimo ver esses personagens crescendo. Isso sem contar com o par romântico que já surge entre Isabel e o Albertinho, personagem de Rafael Cardoso que já desponta como galã (nutro um crush por ele desde A Vida da Gente, pode?). Digo isso pq eu vivi a minha adolescência quase inteira sem ídolos negros na TV, e vejo que já pode existir uma geração que olha para a telinha e se reconhece em seu talento e beleza. Isso não é ótimo?

Eu quero um trabalho – ou “vida de freela”

Eu quero um trabalho para poder chegar em casa cansada todos os dias.

Eu quero um trabalho para poder sentar e pedir uma massagem para o João antes de dormir.

Eu quero um trabalho que não me dê tempo de acompanhar 4 séries de TV ao mesmo tempo.

Eu quero um trabalho que não me permita ver todas as novelas do dia.

Eu quero um trabalho para poder sair no happy hour e dizer traz mais uma porque eu mereço!

Eu quero um trabalho para parar de sentir inveja de gente bem sucedida

Eu quero um trabalho para não cansar do gosto da minha própria comida todos os dias

Eu quero um trabalho para toda manhã escolher uma roupa diferente ao sair

Eu quero um trabalho fixo

Eu quero um salário fixo

Eu quero ser careta

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No entanto, eu não quero um trabalho qualquer. Também não quero um trabalho perfeito. Eu quero um trabalho que eu goste, na área que eu procuro, com um mínimo de recompensa. Com um salário decente. Com condições trabalhistas dignas. Eu quero um trabalho que me permita viver daquilo que amo sem jogar no lixo meu diploma. Nem precisa ser um emprego, de repente. Só um trabalho.

Será que é pedir demais?

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Às vezes eu acho que é.
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Tropicália

{Look do Dia} :: Esse look é do outro fim de semana, aquele do piquenique. Esse vestido é tão lindo, gosto tanto dele. Na época em que comprei, tinha acabado de me formar (em 2008) e ganhava um salário de fome em uma assessoria. Lembro que me apaixonei perdidamente pelo vestido e paguei, na lata, R$ 100 por ele. Até hoje acho um preço bom, uma vez que todo mundo elogia e me pergunta de onde é. No começo, eu ia com ele para festas, depois passei a usar para programas mais rotineiros, como ir ao cinema. Hoje ele é meu coringão para dias calor, e continua sendo um dos meus preferidos – todas as peças poderiam ser assim, né? Bons investimentos.

Segura que tem muita foto, João se superou 🙂

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{Dica de Filme} :: Esse fim de semana fui ver o documentário Tropicália, dirigido por Marcelo Machado. Recomendo mesmo. A edição é bem bacana – na primeira metade do filme você só vê imagens de época e depoimentos em off, sem ver como o pessoal está hoje. Isso faz com que você mergulhe mesmo naquela época. Outra coisa que achei legal foi mostrar um panorama do cenário musical no fim dos anos 60, não só quem de fato estava no movimento tropicalista, mas quem estava ao redor, quem influenciou, quem ficou à margem. Não é só Gil-Caetano-Mutantes, sabe? Sai um pouco do Panis e Circensis para mostrar o todo. O único problema de documentários sobre música é que você fica com vontade e ouvir TODAS e cantar junto – e João reclama se eu dou um pio que seja no cinema, aí não tem graça.

Duas coisas que ficaram na minha cabeça: acho que foi o Hélio Oiticica que falou, ou talvez tenha sido o Caetano. Ele disse que a Tropicália era o único movimento que conseguia unir todas as suas incoerências.  Caetano também diz que discordava da maioria dos anti imperialistas porque sempre gostou de música americana, mesmo tendo paixão por música brasileira – e uma coisa independe da outra, né? Então, acho que essas duas colocações podem transbordar da música e vir pra moda e pra nossa vida, né? A gente não precisa ser coerente o tempo todo.

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{#Eu Que Fiz} :: Semana passada fiz minha primeira aula de sapateado em quase 20 anos! Fazia quando era criança e amava, então decidi voltar a fazer depois de adulta. No entanto, só agora consegui encontrar uma academia de dança que tivesse uma turma para adultos iniciantes. Cheguei cheia de confiança e foi complicado: acho que comprei o sapato errado (diferente de todas as outras alunas, xiiii) e não lembro de absolutamente nada. O professor também parte do pressuposto que eu não tenho qualquer dificuldade de aprendizado, DDA ou lerdeza inerente a minha pessoa, então ensina duas vezes e joga pra Deus, vai lá, faz aí. João acha ótimo, fala que vou aprender tudo muito mais rápido, mas fiquei meio desesperada.

Six Little Things!

 

Esse six little tá uma mistureba braba de coisas bacanas que alegraram meus últimos dias…:)

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1. Esses cabelos

Desde que eu me vi na TV estou achando meu cabelo estranho, muito amarelo e meio capacete. Por isso fiquei com vontade de dar um corte nele (acho que não corto o cabelo desde o início do ano, ou talvez desde o fim do ano passado, não estou muito certa) assim, meio assimétrico, repicado em cima e com umas pontas na parte da frente. O problema é que não faço ideia de como meu cabelo vai ficar, sabe? Todas as referências que encontro são de meninas de cabelo liso ou cacheado… nada de crespo!

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2. Esse “pato”

Eu e João fomos à Lagoa na semana passada e andamos de pedalinho! Tinha me esquecido de como era difícil! Meus pés não alcançam os pedais direito, então deixei o João com o trabalho pesado enquanto eu só manobrava com o volante.

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3. Essa iguaria

Eu adoro acarajé. Na verdade eu digo que, se morasse na Bahia, precisariam de um guindaste para me remover e eu só usaria cortina de box como look do dia. Adoro todo tipo de comida pesada, não tenho medo de dendê e caio de boca em tudo o que é frito, codimentado…Esse comemos na Lagoa (Quiosque Oké Ke a Baiana Tem, recomendo). Nham!

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4. Essas tattoos

Na minha cabeça eu já devo ter umas quinhentas tatuagens, de tanto que gosto. Ultimamente tenho estado apaixonada por esses traços art nouveau, todos feitos no estúdio Analogic Love, em São Paulo. Sigo o povo no instagram e tenho uma vontade grande de fazer uma… mas cadê dinheiro?

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5. Esse bebê

Mattheus já está com 4 meses e 7 quilos! Uma bolinha mesmo, as pernas parecem duas linguicinhas que a gente quer morder. Está parecidíssimo com o pai, o que consequentemente significa que está parecido com o João! Ele é tão fofinho, mas tão fofinho, que quase sinto meu útero vazio me chamando, olha eu aquiiiiiiii. Que vontade de ter um filho! Quem sabe daqui a uns 3 ou 4 anos – de preferência quando eu tiver um trabalho que pague mais do que minha fatura do cartão de crédito.

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6. Esse aniversário

Dia 23 foi aniversário do meu pai. Chamei toda a família aqui pra casa, fiz guacamole, carne moída e feijão e pronto, fizemos uma Noite Mexicana para comemorar. João virou fotógrafo oficial, por isso não aparece nas fotos. Foi muito divertido e ficamos até tarde conversando, rindo e comendo. A Haynna, uma das minhas melhores amigas, diz que minha família parece ter saído de um seriado: é verdade.

Dueto do fim de semana

Eu e João temos os nossos duetos. São músicas que a gente adora e canta junto: Noite dos Mascarados (Chico Buarque com Elis), Águas de Março (Elis e Tom) e agora temos uma nova, Sem Fantasia (Chico Buarque com Cristina). O desafio é decorar a letra e cantar no carro, em casa, essas coisas. Eu fico dizendo que a gente está se preparando para uma apresentação no fim do ano – há anos. Cada um escolhe um intérprete (vocês nunca me viram imitando a Maria Bethânia, João diz que chega a ser criminoso, hahaha) e metemos bronca.

Seguimos treinando.

Nossa versão original

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Olha meu cover aí

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Uma das versões preferidas do João.

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Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer

Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus

Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer

De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

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Tinha que ser Chico Buarque pra escrever essa, né?

Programa do Finde: Piquenique

Desde aquele meu passeio de bicicleta pelo Aterro que eu quero fazer um piquenique. Isso pq naquele dia, entre suadas e pedaladas, passei por um povo super família-paz-e-amor que estendia suas toalhas coloridas nos jardins do MAM, o Museu de Arte Moderna aqui do Rio. Na sombra das árvores esse pessoal fazia sua festinha particular/pública com fitas, bolas, crianças, comidas. Me apaixonei por aquilo e pensei que, em um dia de sol em que não estivesse afim de praia, iria fazer meu piquenique no Aterro. Meu dia chegou.

Convenci o João muito rápido no sábado, quando almoçávamos na Lagoa (enchemos o bucho com dois acarajés e uma moqueca, você pode imaginar a situação), pegando uma brisa. Como não foi lá muito programado, não deu tempo de comprar muita coisa, então a gente resolveu tudo no domingo de manhã mesmo: fui na padaria e no hortifruti mais próximo e comprei uma baguete, uma porção de camponata (aquela conserva feita com pimentão e beringela), croissants recheadinhos, um bolo de milho, uvas e morangos.  Completamos a comilança com água, suco e todynho, pegamos o carro e fomos. O resto é diversão. E fotos. Muitas.

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Em volta da gente: um mini tricolor brincando de bola, criancinhas brincando com fitas, um grupo de jovens fazendo uma festa surpresa. Tem como não amar? ♥

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E essa foi a parte 1 do meu feriadão – sério, a gente bateu recorde de fotos/saídas, então acho que vou falar de feriado a semana inteira, pode ser?

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Beijocas pra vocês e boa semana!

♥♥♥♥♥

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P.S.: Quem estava assistindo o Superbonita hoje viu uma surpresinha: eu falei umas palavrinhas sobre beleza miscigenada, oba! Só fiquei sabendo que ia ao ar hoje, por isso não deu para avisar antes ;( Tô tentando descobrir quando é a reprise, mas acho que no fim de semana deve rolar! Eu aviso quando souber – e quem tiver visto, me fala o que achou!

Qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa

Nossos ídolos ainda são os mesmos

E as aparências não enganam não

Você diz que depois deles

Não apareceu mais ninguém

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Eu tenho essa imagem da Elis Regina que data da minha infância, ela cantando (talvez no Fantástico) e, em um determinado momento, chorando. A voz límpida, mas cheia de emoção, uma emoção que transbordava. Eu guardei essa imagem em mim muito antes da música; a imagem daquela moça chorando na televisão.

O vídeo provavelmente era uma homenagem ou algo do tipo, uma vez que Elis morreu 3 anos antes que eu nascesse. Meus pais ouviam em casa, mas sabe aquelas músicas que você escuta quando é criança e não sabe exatamente sobre o que estão falando? Você ouve, mas não escuta, não presta atenção na letra. Elis estava na minha vida, mas como um pano de fundo, uma trilha sonora que toca ao longe.

Foi na minha adolescência que eu realmente parei para ouvir, e foi aí que ela me arrebatou. Eu nunca tinha visto ninguém cantar assim – quer dizer, ver eu vi, na tv, a moça que cantava e chorava – e acho que nunca verei. Aquela emoção, aquela enlouqüência, aquela paixão toda. Tem músicas que eu escuto * que me dão um aperto no peito, uma vontadezinha de chorar; é ela lá, me atingindo com todo o seu fogo. Não sei muito sobre ela, sobre o tipo de pessoa que era, não sou profunda conhecedora de sua obra, mas ela consegue fazer o que quase ninguém mais consegue e, para mim, isso é ser artista.

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Dia desses fui ao Centro Cultural Banco do Brasil para ver a exposição sobre a Elis – esse ano completam 30 anos de sua morte – e gostei bastante. Fui com o João, que também gosta muito da música que ela fazia, e ficamos rodando por lá um bom tempo. Para quem não conhece muito da sua obra é uma oportunidade bem interessante. No entanto, é bastante superficial: você entra e sai sem saber muitos porquês. Diziam que ela tinha a personalidade difícil – mas isso não se vê na exposição. Quase não há informação sobre sua vida pessoal, sobre os conflitos que tinha com o primeiro marido, o Ronaldo Bôscoli, sobre a relação conturbada com os pais (ela passou a sustentá-los muito cedo, cantando), sobre a relação que tinha com o governo militar (numa época em que muitos artistas se posicionavam claramente contra o regime, ela parecia se colocar à margem), essas coisas. Também achei a cronologia meio bagunçada – a exposição não tem um fio condutor, sabe? Poderiam ser seus discos, seus casamentos, tanta coisa pra ajudar a gente a se guiar. Resumindo: essa não é uma exposição definitiva; acho que muitas outras ainda virão, mais completas. Pelo menos é o que eu espero.

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Saí com tanta dúvida na cabeça depois da exposição que desenterrei uma biografia da Elis que comprei meses atrás. Estava juntando poeira com outros livros que eu ganhei/comprei/peguei emprestado e não li (tem a biografia do Paul McCartney pelo Peter A. Carlin, o 1808 e um clássico do jornalismo escrito pelo Gay Talese). Peguei e estou devorando, comecei no domingo e acho que ele não sobrevive até o final da semana. O livro é como uma grande reportagem, e também tem longos trechos escritos em 1º pessoa, além de algumas fotos. A autora é a Regina Echeverria. Recomendadíssimo.

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*Como Nossos Pais é uma que me dá um arrepio, sempre.