Refrescante e expectorante

Gostar de moda e se informar sobre o assunto constantemente pode ser uma bênção ou uma maldição, viu. Pq se você estiver sem dinheiro, vai por mim, não vai querer saber qual é a última tendencinha, o must-have do inverno ou coisa que o valha – até pq, quando você fica sabendo, nasce um bicho carpinteiro que se aloja na sua mente e pronto. Você nunca será uma pessoa completa se não tiver a peça no armário.

Ultimamente, meu bicho carpinteiro (tenho que dar um nome pra ele, pq o danado já mora comigo e nunca vai embora) cismou com duas coisas: uma botinha de cano baixo, estilo Peter Pan, sem salto e com cadarço (não confundam com um coturno, please), e uma peça na cor menta. Menta menta menta. Refrescante. Expectorante. Menta.

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Gosto assim, mais puxado pro pastel…

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Mas confesso que estou apaixonada por esse tom mais vibrante, tão próximo do turquesa!

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Na falta de dinheiro e sobra de desejo, corri atrás desse meu desejo mentolado. Se não tá dando para comprar roupas (e nem tenho visto muita coisa com essa cor por aí, viu?), resolvi investir num DIY para a minha amada casinha.

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Fui na Caçula – Pintura & Artesanato (Rua da Alfandega, 318 – Tel.: 21 2219-3820)  e comprei esses enfeitinhos de gesso, branquinhos, por uns R$ 2 cada. No mesmo local, comprei uma tinta em spray verde (Colorgin) e cruzei os dedos: já tinha tentado usar tinta spray num móvel aqui de casa e ficou uó, cheio de bolhas!

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A Thalita, blogueira fofa do Casa de Colorir, deu a dica: o segredo da tinta spray é manter a latinha na vertical, além de respeitar o período de secagem entre uma demão e outra. Assim, forrei de jornal a lateral da minha sacada e apertei o spray. Deu certo! Só precisei de 3 demãos para chegar no tom desejado (acabei não pintando a pombinha, achei tão linda branquinha mesmo…). Agora chegou a hora de decidir onde colocar os enfeitinhos.

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As pecinhas serviram de acabamento para essa faixa de tecido que já estava na parede. A faixa foi um presente made in Moçambique mandado pela minha querida amiga Cat, e é um xodó na minha sala, toda em tons de laranja e vermelho. Gostei muito pq ela quebra essas cores e equilibra o ambiente.

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A moldurinha ganhou um cantinho especial nessa parede já tão cheia de quadrinhos (adoro essa parede, gente), e a pombinha ficou branca mesmo, ali do lado, criando um cantinho fofo. A foto é super antiga e já está bem borrada, mas eu gosto tanto que achei que ela merecia um espaço de destaque: somos eu e meus irmãos praticamente fazendo um “montinho” na minha mãe, na varanda da nossa antiga casa. Meu irmão mais novo tá de fraldinha mastigando uma colher, o Lucas, meu irmão gêmeo, tá dando um abraço cruzado com gravata, e eu estou fazendo pose, segurando uma barbie, debaixo da asa da mamãe. Kodak Moment total.

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Com isso consegui calar o bichinho carpinteiro por alguns instantes. Não sei quanto tempo ele ficará calado, porém.

Aliás, preciso dar um nome para esse bicho.

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Six Little Things – Family Edition

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É engraçado esse negócio de morar longe dos seus pais. Eu já tinha ouvido dizer que a relação melhora muito – se você era do tipo adolescente que sai batendo a porta, filha que brigava com a mãe ou filho que discutia o tempo todo, comemore! – e é verdade. Melhora porque muda, sabe? E é uma mudança gostosa. Às vezes eu olho pro meu celular e tem uma mensagem do meu pai dizendo “e aí, como está?” só pra saber de mim. E quando eu ligo sinto que ele sorri do outro lado da linha. E quando eu passo em casa (na casa deles), é um rodízio de gente sentando ao meu lado pra dizer desde “Esse seu gato só vive na rua agora, está voltando todo estrupiado” até “olha só, Fernanda, essa bolsa/chaveiro/lixeirinha de carro/bonequinha que eu fiz! Já tenho 10 encomendas!” (minha mãe é craque nos trabalhos manuais).

É um momento muito bom. Daí que na semana passada estive na casa da minha tia, com meus primos por parte de pai (somos dez no total, nunca está todo mundo ao mesmo tempo) e passei com a minha família um momento único e muito gostoso: reviramos duas caixas de fotos da minha avó que hoje estão na casa da minha tia Regina. Cada foto tinha um comentário do meu pai, uma risada, uma lembrança. Foi lindo mesmo. E como a tecnologia moderna taí pra nos ajudar, saquei o iPhone e fotografei algumas fotos pra poder ter comigo – e agora divido algumas com vocês 😉

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1.


Esse aqui é o Seu Luciano, meu avô. Ele morreu quando eu tinha oito anos, depois de um derrame. Era um senhor austero, pelo pouco que me lembro. Foi um monte de coisas, incluindo garçom e fotógrafo da Aeronáutica. Meu pai sempre diz que ele chegava contando coisas bizarras que aconteciam nas cozinhas dos restaurantes, então eu não duvido de nada. Sendo fotógrafo, foi o responsável por maior parte das fotos que estavam dentro da caixa da minha avó.

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2.

Essa é a minha avó Carmem. Ela é tudo o que uma avó deve ser: amável, fofa, tem o melhor abraço do mundo e está sempre sorrindo. Hoje ela quase não enxerga (por causa do diabetes) mas sempre sabe quando sou eu que estou chegando. Foi professora a vida inteira, e até hoje me ensina muita coisa. Reparem como minha boca e nariz vem dessa moça aí.

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3.

Esse menino da direita é o meu pai, o da esquerda é o meu tio André. Meu pai olhou a foto e falou “ele adorava ficar enchendo e esvaziando essas latas, e eu tinha que ficar junto”, isso pq meu pai era o irmão mais novo antes dele. Eu gostei demais dessa foto, pq eu olho pro meu pai aí e vejo exatamente como ele é hoje, sabe? O mesmo olhar, sem tirar nem por.

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4.

Daí que meu pai cresceu e, né, virou esse homão aí. Essa foto é do dia da formatura dele na Academia. “Estava até inchado de tanto beber nesse dia”, ele contou. Mas pra mim tá magrinho, magrinho!

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5.

Então meu pai conheceu esse moça bonita e sorridente aí da foto, namoraram e casaram. Ele tomou um susto quando soube que ela estava grávida. Susto maior ainda quando soube que eram gêmeos. Meu irmão Lucas era o mais branquinho, mais chorão e mais tímido. Eu era a mais gordinha, mas moreninha e mais comilona.

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6.

E olha nós aí! Meu irmão provavelmente viajando em alguma coisa só dele na hora de tirar a foto. Eu parecendo um cupcake, toda fofinha e com uma roupa de frufru. Reparem no pulseirismo já presente, na estampa de uvas (muito antes das bananas, meu povo!), no coque no alto da cabeça… uma pequena trendsetter!