Ontem à noite tirei meus cisos. Lado direito, em cima e embaixo. O dente de cima tinha três raízes, era uma coisa gigantesca. E acho que de Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier, e não o feriado de abril) pra cá, pouca coisa mudou na incrível arte de arrancar dentes. Cá entre nós: é uma pedreiragem. Chama um mestre de obras com um alicate que ele faz isso. É uma barbaridade disfarçada de jaleco e ferramentas prateadas. Estou traumatizada.
[Falou a fresca]
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Então hoje estou em casa. Bebendo líquidos (sem canudinho, o que pode arrebentar os pontos, então estou bebendo pelo canto da boca e babando de leve. Uma coisa linda.) e lendo um pouco.
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Estou lendo Anybody Out There, da Marian Keys (autora do best seller Melancia, quem já leu?) e, peraí, NOSSA. Um big wow para esse livro. É muuuuito engraçado, eu ri demais, senti como se uma conversa minha com a Manoela, Aninha ou Teresa (totalmente nonsense e pontuadas por alguns gritinhos surpresos e caretas) tivesse sido transportada para um livro. É o máximo!
Isso é, até o fim do primeiro 1/4 do livro.
É quando você descobre o verdadeiro mote da parada, a razão de tudo. O quebra-clímax. E aí você desanda a chorar.
E deixa eu te falar: sou babaca. Choro mesmo. Me descabelo. É como seu eu estivesse lá dentro sentindo a dor dos personagens, é uma coisa incrível.
[olhos cheios de lágrimas agora. falei que eu era babaca]
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Outra coisa importante que me dei conta é que no dia 30 de outubro, em 1993, River Phoenix vivia seus últimos momentos. Fiquei pensando aqui como deve ter sido esse seu último dia (River morreu na noite de 31 de outubro, em Holywood). Ele estava gravando um filme que nunca ficou pronto, Dark Blood (e depois fiquei pensando na solução que encontraram para o último filme do Heath Ledger, que também ficou incompleto, e que convidaram vários atores para interpretar o seu personagem, numa ideia bem nonsense, mas realmente interessante). Então pensei que seria interessante lembrar do River por seu trabalho, e não por sua morte (morrer de overdose para mim é algo estúpido, não é como ser atropelado por um caminhão, não é ocasional, todo mundo sabe que pode acontecer), e coloquei o meu DVD de O peso de um passado para rodar. E da cena da dança ao som de James Taylor (I’ve seen fire, and I’ve seen rain…) pra frente, eu já começo a chorar. Ou seja, eu devo passar pelo menos 1/3 do filme chorando.
[falou a chorona]
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It just feels so good, it’s sucha a great escape, you know. It really is. It’s such a great fantasy. It has nothing to do with the idea of movies, just getting lost. Having an excuse to get that far out of your head is just a really good feeling.
River Phoenix
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Então é isso, gente. Vou pra casa do namorado assistir a trilogia do Poderoso Chefão e beber coisas geladas. Beijos.